Segunda-feira, Março 03, 2008

A velha nova consciência

O ex-sindicalista Lula obteve, em sua aventura como presidente do Brasil, a maior aprovação desde a sua melancólica posse, em 2003. Petistas, situacionistas e esquerdistas de todas as espécies (light, xiita e delirante) ficaram todos assanhados. É como se Lula tivesse se transformado no detetive Elliot Ness da política. Intocável. A soberba é de que se a pesquisa assinalou, então ele está legitimado: não pode ser contestado. Deixem Lulinha e a Gamecorp em paz. Tenho preguiça com essa turma de inteligência parva e travessa, mas vamos lá.

Essa euforia dos descansados obviamente é de uma asquerosidade colossal. Mas é pertinente, antes de desconstruir a tese dos cérebros travessos, separar malandros e tolinhos: uma parte dos agitadores são funcionários públicos ou seres “abençoados” e “agraciados” com verbas públicas em revistas, espetáculos e peças teatrais. A outra parte é formada apenas por aborrecidos e ignorantes agitadores do lulismo, todos reféns de sua ideologia precária, sejam eles urbanos ou caipiras. Uns locupletam-se; outros são bobocas subservientes.

Alguém que estiver um pouco mais atento em discutir idéias -- e não pessoas --, irá constatar que tal aprovação não se deu às maravilhas de um governo errante. O país continua a mesma porcaria de sempre: pobre, violento, ignorante, irrelevante culturalmente e abusado por políticos. Ou estou mentindo? O que salva é a economia, o único setor do governo onde os petistas não meteram o bedelho. Deixaram-na (a economia) na mão dos então “neoliberais” tucanos. Desde o governo Fernando Henrique, o Banco Central segue sob a batuta do senhor Henrique Meirelles. A incoerência salvou o Brasil: o PT aplica a política econômica dita “neoliberal” que combateu durante anos.

A aprovação de Lula se vale também pela política assistencialista feroz, que é uma potente ferramenta eleitoral em suas mãos. Entendo: é bem mais fácil fidelizar um eleitor com uma “esmola-família” do que lhe tirar da miséria lhe dando educação e emprego. O pobre precisa continuar pobre para votar em candidato de pobre.

Quando um vagabundo pressupõe que um governo ineficiente nos gastos públicos pode ser considerado legítimo, um “messias de novos tempos”, e superior ao anterior -- que institucionalizou o país e estabilizou a economia --, só posso me lembrar de Paulo Betti, quando disse que “é impossível fazer política sem colocar a mão na m....”.

Para os crédulos deste pensamento, o discurso conservador se baseia em um senso comum que se trata de uma “falsa consciência” coletiva que necessita ser superada. É como se a sociedade não soubesse o que quer, não soubesse o que é certo ou errado, e precisasse então de uma luz para descobrir a razão. E de quem é a tarefa dessa superação, desse iluminismo? Para eles, da esquerda. Eles “gentilmente” nos apresentariam então uma “nova consciência”, com valores de igualdade e liberdade – a seu modo, como Fidel fez. A partir de então, colocar a mão na m.... seria algo plenamente justificável se os fins fossem favorecer o partido. Comentários “ferinos” sobre o uso pornográfico dos cartões corporativos seriam condenados. Talvez comentários carinhosos fossem bem recebidos. Leiam 1984, de George Orwell. É uma síntese emblemática dessa ideologia grotesca que inverte valores.

O curioso é que os descansados não contestam as denúncias de corrupção. Nem debatem idéias – preferem atacar as pessoas que escrevem, e nunca o que elas escrevem. Reclamam porque há quem reclame do governo “deles”. Querem uma democracia calada e sem questionamentos, com o perdão da antítese. Por isso gostam tanto de Fidel e Chávez. Para os descansados, podem fazer um governo de ímprobo desde que os fins ideológicos partidários sejam cumpridos. Ah, sim! E que fins seriam estes? Até agora, apenas o inchaço estatal e recompensas para – quase – todos militantes que aderem à causa. Depende apenas se o militante é o financeiramente pujante malandro ou o sempre desconstruído tolinho.

Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Entrevista com Brasilóide

Estava visitando meus pais em minha cidade natal. Lá, acontecia uma micareta. Ia atrás de sossego e ele fugia de mim. Acabei indo embora no mesmo dia em que cheguei. Antes de ir, consegui entrevistar um folião – identificado apenas como “Brasilóide” – que brincava o carnaval fora de época rua afora. Foi a maior aula de sociologia que já tive.

Eu: Você ama o Brasil?

Brasilóide: Eu amo esse meu Brasil brasileiro! Sou capaz de dizer isso mesmo diante de um traumatizante assalto a mão armada ou de um arrastão no Túnel Rebouças!

Eu: E por que você ama o Brasil?

Brasilóide: Simplesmente porque aqui é o melhor país do mundo! E é onde eu nasci! Temos carnaval, calor, o melhor futebol do mundo e somos penta!

Eu: Além destas grandes expressões culturais, o que mais o país tem de bom?

Brasilóide: Nossas mulheres são as mais bonitas do mundo. As estrangeiras são todas feias, azedas, frias e sem graça! Temos santo, vice-miss mundo e astronauta! Além disso, o Brasil é o país do futuro e Deus é brasileiro! Quer mais ou chega? É verde e amarelo, minha gente!

Eu: Presumo que como bom brasileiro, você odeia os americanos.

Brasilóide: Não é americano, é estadunidense! Americano é quem nasce na América! Odeio sim os Estados Unidos, esse país imperialista e capitalista que tem inegáveis interesses no nosso dinheiro e recursos naturais! O povo deles é manipulado pela mídia! Nós brasileiros sim, sabemos da verdade, não somos enganados! Somos malandros, irreverentes e espertos!

Eu: Espertos? Você lê jornal? Sabe que somos um dos países mais corruptos do mundo, piorando a cada ano?

Brasilóide: Não leio jornal, ler é chato e me dá sono. Mas vejo Jornal Nacional! Podemos até ser abusados pelos políticos, mas levamos no maior bom humor e sambando. Onde você encontra um povo assim, me diz? E se quer saber, temos uma política evoluída graças ao voto eletrônico e ao nosso pai dos pobres, o Lula, em quem votei!

Eu: Você sabia que a violência urbana no Brasil mata muito, muito mais anualmente do que a guerra do Iraque, por exemplo?

Brasilóide: Não sabia, mas violência tem em todo lugar. Porque não aqui? Pelo menos não temos terremoto, terrorismo, Bin Laden, nem tsunami!

Eu: Sua ignorância é chocante. Se você não lê e não se informa, então o que faz da vida? Estuda, trabalha ou só faz hora extra no mundo?

Brasilóide: Não gosto de trabalhar e sempre matei muita aula. Gosto mesmo é de zoar com os amigos e beber, beber muito! Jogo bola bem como todo brasileiro! Durmo muito, umas 12 horas por dia! E no domingo fico ligado na TV o dia todo, adoro BBB, Faustão e Galvão Bueno!

Eu: Me diga o que você achou do filme “Tropa de Elite”.

Brasilóide: O cinema nacional é sem dúvida o melhor do mundo, de longe! Não tem para Hollywood. Mas não vi esse filme pois me falaram para eu não ver, porque o filme é de direita! Odeio o capitalismo, que é coisa de direita! Amo Che Guevara, Cuba, comunismo, socialismo e tudo que vai contra o imperialismo estadunidense!

Eu: Quero publicar essa entrevista em um jornal e em um blog. Posso?

Brasilóide: Claro que pode! Eu não vou ler mesmo!

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

A Tropa de Elite do 1º andar


Meu prédio foi assaltado. São os riscos de morar numa cidade grande como Belo Horizonte. Mas não ficou barato para o criminoso. Ao ver o vagabundo sair pelo prédio, consegui dominá-lo juntamente com meu vizinho do 1º andar. Assim, o impedimos de fugir.

A saída óbvia seria chamar a polícia. Mas decidimos não fazê-lo de imediato. Tivemos um sentimento de justiça a ser cumprida. Enfiamos um saco plástico em sua cabeça, até que ele confessasse porque havia roubado o nosso prédio naquela hora, e quem havia lhe passado as informações sobre horário dos moradores entrarem e saírem da garagem. Não serviu. Após uma enxurrada de sopapos na cara, saco plástico novamente. A técnica do saco, apesar de excelente, novamente não serviu. O jeito foi apelar para o cabo de vassoura.

Temeroso de ter sua honra violada por um objeto de limpeza doméstica sem lubrificação alguma, o meliante resolver falar. Foi quando chegou a polícia quebrando o pau. Pensei: “Vou ser preso”. Só que para minha sorte, como meu vizinho tem bem mais dinheiro do que eu, ele colocou umas “onças” no bolso dos guardas e ficou tudo bem. Quem quer rir, tem que fazer rir. No lugar de sacos plásticos, tapinhas nas costas. No lugar do cabo de vassoura, um sorriso maroto. E o bandido? A essa altura ele já tinha conhecido Reagan, Lennon, Senna, Bob Marley e mais uma pá de gente famosa na outra vida.

É claro que nada disso aconteceu. Aconteceu até eu acordar do pesadelo e afofar meu travesseiro de penas de ganso. Havia assistido “Tropa de Elite” antes de dormir. Excelente obra cinematográfica e motim de debate sobre segurança pública. O filme vem sendo contestado por escravos ideológicos de esquerda. Uma gente que acredita que bandido é oprimido, e não opressor. Ao mesmo tempo, ganha aplausos de quem acredita que lugar de bandido é na cadeia. E que maconheiro tem mesmo que levar prensa da polícia, afinal financia o crime e o tráfico.

A esquerda petista, cheia de sindicalismo, culto à CPMF e mingau na cabeça, pode até espernear. Mas Capitão Nascimento e os valores de um policial honesto e que acredita no combate ao crime já estão na boca do povo graças ao filme. Estão na boca da garotada, que repetem suas frases e trejeitos. E melhor: em tempos de culto ao bom selvagem e à elasticidade moral, os valores passados pelo filme estão firmes e fortes no imaginário popular. Um alento em uma era de mediocridade e miséria intelectual e moral.

O filme está até mesmo -- veja só! -- nos meus pesadelos. E é uma pena que nem tudo seja somente pesadelo. Depois disso tudo, o meu prédio foi realmente assaltado. Só que o assaltante fugiu.

Quarta-feira, Outubro 10, 2007

Tiraram a roupa do rei

Se o Saara é o maior deserto de superfície terrena, o planalto brasileiro é o maior deserto de idéias do mundo. Na última semana, procurando algum assunto para trazer à baila nesta coluna, o conteúdo mais farto que tive em toda mídia foi a tal revista Playboy da jornalista Mônica Veloso.

Deputados, assessores, apadrinhados políticos e puxa-sacos de todos os partidos rodearam o planalto nesta última semana devidamente munidos com as fotos da jornalista com quem Renan Calheiros manteve relações sexuais e estourou mais um escândalo de corrupção dentro do atual governo.

Apesar de – não podemos negar – a moça aparentar boa forma, ainda acredito, como cidadão honesto, que o mais importante continua sendo a investigação de Renan seguido de sua punição – leia-se cadeia ou o que for justo – e expulsão do Senado, e não a sua faceta luxuriosa com a bela jornalista.

Enfim, quando tudo caminhava para uma coluna aonde iria apenas tecer comentários jocosos sobre as poses, caras e curvas de Mônica Veloso, o PT vem e me privatiza sete rodovias federais. Sete, sendo seis para o temível “capital estrangeiro”. Ou, como dizem outros pedantes em suas lunáticas diarréias mentais, “os inegáveis interesses estrangeiros”.

Antes de qualquer coisa, sou totalmente a favor das privatizações. Se pudesse, privatizava até mesmo a presidência da república, delegando-a a um escritório de administração de empresas ou de condomínios. Não vejo muita diferença entre Lula e o síndico do meu prédio. Privatizava a Caixa, a Petrobrás, o Banco do Brasil e toda essa aparelhagem estatal em forma de empresa ufanista do estilo “o petróleo é nosso”, “o banco é nosso” e “o juros do cheque especial é nosso”.

Mas mesmo agora que, no meu entendimento, o governo acertou, não posso deixar de pegar no seu pé pela sua hipocrisia e lastro ideológico, que antes condenava uma privatização como se isso fosse obra do demônio – nenhuma intenção de fazer uma alusão jocosa à recente aproximação de Lula e Edir Macedo.

Onde infernos está a tal bandeira anti-privatização que essa gente tanto chacoalhava? As empresas estatais, sucateadas e falidas que os petistas tanto nos aporrinharam a paciência por terem sido – corretamente – privatizadas não deveriam ser “nossas”?

É claro que uma atitude como esta revela todo o oportunismo do partido. Mas agora que uma das poucas coisas boas pelo governo está feita, quero mais: quero a redução ou extinção do IPVA. Afinal, para que pagar um imposto sobre uma rodovia que circulo, se a mesma está sob administração privada?

Enfim, mais um discurso petista foi desmascarado. Tiraram a roupa do rei. O rei está nu, igual à Mônica Veloso.

Quinta-feira, Outubro 04, 2007

As reflexões de Luciano Huck

Luciano Huck foi assaltado em São Paulo. Em uma violenta abordagem a mão armada, os bandidos levaram seu rolex de ouro. Como desabafo, ele publicou um, convenhamos, belo artigo indignado contra a violência no país, especialmente na capital paulista. Foi o basta do Huck para a violência. Luciano Huck foi o nosso Martinho Luthero da cruzada contra a marginalidade.

No Brasil, deixando o politicamente correto de lado, todos nós sabemos muito bem que o crime compensa. Há impunidade para todos os lados e gostos: do miserável ao milionário. Do assaltante de galinha até o fraudador de licitações. Do pivete do sinal até o deputado mensaleiro. O nosso buraco, portanto, é mais embaixo: é um problema endêmico-cultural. E essa endemia é que inviabiliza o nosso futuro como um país sério.

Huck, entretanto, tem razão: quem ainda não foi, certamente um dia será vítima da violência urbana. É só esperar a sua vez, como ele esperou a dele. Quem não quiser esperar sua vez chegar, que se mude para a Suíça. Os protestos isolados seja contra a violência ou contra qualquer outra coisa, como dos pais do menino João Hélio, dos parentes das vítimas dos acidentes da Gol e da Tam ou do próprio Huck, sempre estarão condenados a serem mero conteúdo efêmero para a mídia. O Brasil continuará, muito provavelmente, sendo o mesmo daqui há 10 ou 50 anos: corrupto, ignorante, violento e dominado pelo tráfico e crime organizado.

Então, fica aqui – sem ironias – um conselho para o Luciano Huck e para todas as pessoas diariamente desafortunadas pelo crime, corrupção ou impunidade no país. Vamos, sim, discutir segurança pública de verdade. Vamos pensar até mesmo antes, em quem estamos elegendo para implementar tal “segurança pública de verdade’”. Vamos pensar no sistema educacional que estamos implantando hoje no Brasil, que não ensina absolutamente nada a ninguém.

Mas mais do que isso, convido à reflexão de todas as raízes culturais que nos trouxeram até aqui, e que constituíram a nação que somos hoje: uma gente extremamente orgulhosa, muitas vezes infantil e preguiçosa e que não se preocupa em fazer sempre as coisas bem feitas. Uma cultura que tem como personagens mais marcantes não o herói ou o vencedor, mas sim o fanfarrão ou o “coitadinho”. Uma cultura que não busca aquilo que um homem com o mínimo de sanidade, hombridade e higiene mental sempre perseguirá em sua vida: a maturidade, o desenvolvimento ético, moral e espiritual. Aqui se busca a riqueza pela riqueza, de preferência levando vantagem sobre outrem. Se busca e se cultua uma mesquinha satisfação do ego, trazendo na bagagem todas suas conseqüências fúteis e deploráveis.

Portanto, os discursos inflamados e emocionados, infelizmente, não farão nada além de fornecer colo aos inconformados de agora. Precisamos é de um choque cultural, de um choque de valores, um choque que nos permita mudar as coisas. Praticamente uma espécie de método Ludovico em massa.

Segunda-feira, Julho 30, 2007

O profeta do acontecido

Poucas coisas me irritam. Uma delas é ser chamado de “profeta do acontecido”. O “profeta do acontecido”, segundo um amigo, é aquele indivíduo que depois que algum fato, fatalidade ou casualidade acontece, chega e diz a todos: “eu avisei”.

Nunca avisei nada a ninguém sobre o caos aéreo, os acidentes em Congonhas, pois subestimei a incompetência dos órgãos responsáveis por este setor. Mas me sinto a vontade para atacar de Nostradamus sobre outros aspectos estruturais de nosso país.

No ano passado foi criado o PAC. Mas que infernos é o PAC? O PAC é um “programa” batizado pelo governo como “propulsor” do desenvolvimento do país. Analisando a fundo o PAC, pude constatar que ele não é nada mais, nada menos, do que um amontoado de obras que o governo tem a obrigação de fazer, independente de qualquer “formulação estratégica” que ele prometa lhe entregar. Tomando emprestada a frase do colega jornalista Guilherme Fiúza, o PAC não passa de “ficção científica”. Ou propaganda, se preferirem.

Mas infelizmente, apesar de todo alarde, excentricidade e propaganda sobre o PAC, pouco de concreto foi feito até agora. Se estamos vivendo em meio a um caos aéreo, que atinge apenas a parcela da população que não recebe, mas apenas paga pelo bolsa-família, por outro lado outros problemas muito maiores nos aguardam na esquina da próxima década. Tremei, pagadores de impostos não-ressarcidos em nada!

Falo dos problemas que estão sendo plantados agora, como a massificação da pobreza no Brasil, arquitetada da mesma forma que na Venezuela chavista, que arrochou a classe média até esta equiparar-se à classe pobre. Daí, é claro, surgem outros problemas para nós: violência, favelização das regiões metropolitanas, crescimento da taxa de natalidade, queda no consumo, queda na renda, queda de emprego, queda de cabelos, etc.

Falo também do problema do apagão energético, que acontecerá mais hora menos hora, devido a deficiência de obras no setor durante os últimos 4 anos. A educação também não acompanha o ritmo de desenvolvimento do resto do mundo. Temos pouca gente capacitada e a nossa educação tem sofrido um desgostoso rebaixamento intelectual.

Falo ainda do endividamento do estado, originado pelos desenfreado gastos com empregos no setor público, sem falar nos inúmeros cargos de confiança criados em Brasília, que surgiram como nunca antes vistos na história deste país.

Para fechar com chave de ouro, levamos um baile de entorpecimento moral, relegados ao “no Brasil é assim mesmo...” sempre que diante de um caso mensalão, Renan Calheiros, dólar na cueca, bingos, correios, sanguessugas, compra de dossiê, absolvição de corruptos, etc.

O mundo está indo embora. Nós estamos ficando para trás. A única coisa que evolui no Brasil, certamente é a publicidade, cujo setor prospera. Haverá muita propaganda para dizer que as coisas estão sendo feitas. Só se esquecerão de fazê-las. Mas cuidado: diante do apagão que acontecerá daqui alguns anos, não haverá energia nem para ligarem as câmeras, os monitores e os spots de luz, equipamentos indispensáveis para uma propaganda luxuosa e de encher os olhos da população. Estou dizendo isso para ninguém me chamar de profeta do acontecido. Isso me irrita.

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Não somos a Suíça

Lula pediu para que os brasileiros parassem de falar mal do Brasil no exterior. Eis o embuste lulista: “Quem viaja muito o mundo às vezes volta decepcionado com a imagem que se cria do Brasil lá fora. Aliás, eu acho que o Brasil é o único país em que os brasileiros viajam para fora e falam mal do Brasil. Você não vê um suíço falar mal da Suíça, você não vê um italiano falar mal da Itália, mas os brasileiros adoram falar (mal)”.

Até onde sei, os suíços não tem nenhum motivo grave para falar mal do próprio país. Pelo contrário: é um país de altíssimo nível educacional. A criminalidade tem números baixíssimos. A história do país, que deu ao mundo os melhores economistas da humanidade é motivo de orgulho perene. Já os italianos têm reclamado da parte sul de seu país, acometida pela violência crescente. Os políticos de lá também são alvo da frustração do povo. É claro que nada comparado ao Brasil.

Portanto, não entendi onde Lula queria chegar com este pedido de “não falar mal do Brasil”. Ele queria que camuflássemos a realidade? Forçando um pouco, é claro que temos coisas boas para falar do Brasil no exterior. Temos um sambinha da melhor qualidade. Um futebol pentacampeão mundial. Sambamos e jogamos bola felizes, ainda que enfurnados na mais completa miséria e ignorância.

Já o resto, não tem alternativa de falar bem. O brasileiro, no exterior, não tem um parecer positivo para dar sobre segurança pública aos estrangeiros. Quem vier para cá que se prepare para separar o dinheiro do bandido. Como alertei no início do ano, nada ia acontecer após o caso João Hélio. Os pais do menino só serviram de ornamento para alguns políticos oportunistas. O brasileiro, no exterior, também não tem um panorama positivo para apresentar sobre a corrupção por aqui. Tudo na mesma, com aguda tendência a piorar. A pizza do caso Renan Calheiros já está no forno.

O sistema educacional é deplorável. Do maternal à faculdade, contamos com um frágil sistema de ensino, piorado ainda mais no âmbito universitário, onde grande parte dos professores pratica doutrinação marxista frente aos seus alunos. O debate é condenado e o consenso é cultuado. Formamos exércitos de conformistas e um ou dois contestadores – quando muito.

A civilização do povo é conferida na falta de gentileza nas filas, na péssima educação no trânsito, e no lixo atirado no meio da rua, mesmo que o porco esteja a 10 metros de uma lixeira. O nível cultural é diagnosticado a partir da decadência do jornalismo de qualidade – vide fechamento do excelente NoMínimo, de Tutty Vasques & cia – e no emergir de nulidades, como Íris Stefanelli, aquela moça do Big Brother Brasil.

Nosso Ministério do Turismo é dirigido pela sexóloga Martha Suplicy. A propósito, tem tudo a ver uma sexóloga comandar este ministério. Afinal, na Europa e Estados Unidos, o país é conhecido como o paraíso do turismo sexual barato. A frase da ministra -- relaxa e goza! -- dita desrespeitosamente para as pessoas que sofrem diariamente nos aeroportos país afora, pensando bem, serve até mesmo como slogan publicitário para o turismo brasileiro internacionalmente.

Portanto, não creio que o brasileiro adore falar mal do próprio país. Faltam motivos para se falar bem. A melhor forma de falar bem do Brasil hoje, é morando na Suíça ou na Itália.

Terça-feira, Junho 26, 2007

O manto ideológico

Olavo de Carvalho é o maior filósofo brasileiro da atualidade. Só que infelizmente, no Brasil, ele é desprezado pelo grande público, alvo de chacotas e tratado como um infame. Seu “crime”? Ele foi um dos homens responsáveis por espalhar e divulgar, através de arquivos, reportagens, documentos e provas, a existência de um projeto político para a América Latina, batizado de Foro de São Paulo.

Em 1990 foi criado o Foro de São Paulo, movimento político liderado por Fidel Castro e diversos partidos, líderes e grupos de esquerda, com objetivo de gerar a tão almejada expansão esquerdista na América Latina. De lá para cá, o Foro contou com reuniões anuais que sempre aconteceram na sombra, bem longe da cobertura da imprensa ou da investigação de autoridades sobre seus reais propósitos.

E uma entidade como o Foro de São Paulo mereceria investigações mais sérias, uma vez que conta com toda sorte de figuras condenáveis e até mesmo de grupos criminosos, indo de Hugo Chávez e Fidel Castro – o homem que manda matar no paredón – até a participação das FARC e do MIR chileno – grupo de seqüestradores responsável pelo seqüestro do empresário Washington Olivetto, alguns anos atrás. Não dá para aceitar que figuras políticas tomem decisões estratégicas para o continente lado a lado com grupos armados passivamente.

E o Foro de São Paulo, um “adolescente” de 17 anos, vai de vento em poupa rumo à maturidade e estabelecimento para sua “fase adulta”. O melhor exemplo do sucesso da expansão esquerdista – que sempre passa longe do viés democrático – na América Latina é o governo venezuelano, sob a batuta do bufão Hugo Chávez. Além de causar o empobrecimento da Venezuela, que saiu da casa dos 40% para pular para a casa dos 60% de pobres e miseráveis em seu país, ele dá provas diárias de tirania e obsessão totalitária, retirando canais de TV opositores do ar – coisa que precisávamos aqui no Brasil –, armando milícias, comprando submarinos de guerra e enganando toda sorte de ideólogos pacóvios com seu vazio e populista discurso anti-Estados Unidos – para quem, aliás, ele vende petróleo.

Foram muitos os avanços e ganhos do Foro de São Paulo: hoje a grande e esmagadora maioria da mídia é subserviente a ideologia esquerdista, sempre suprimindo idéias e correntes contrárias dos debates, mesmo que elas procedam e tenham um fundamento científico por trás. O termo “neoliberal” ganhou caráter pejorativo na América Latina, mesmo tendo funcionado nos Estados Unidos e Europa.

Voltando ao deplorável Chávez, ele ainda conta com defensores e mímicos em todas as áreas – jornalismo, cultura, artes, política – que me levam a crer que quando não fazem parte deste ambicioso projeto de “cubanização” da América Latina, são apenas ingênuos repetidores de uma idéia que desconhecem por completo, e que é vendida como uma romântica salvação, travestida de igualdade, justiça e liberdade.

Igualdade, justiça e liberdade passam bem longe do dicionário dos mentores do Foro de São Paulo, bastando olhar para seus fracassados governos e miseráveis povos. Estes termos supracitados servem apenas para alimentar uma eterna promessa de dias melhores, que ao contrário da música de Rita Lee, nunca virão. Melhor fazer igual ao agente especial do FBI, Fox Mulder (do seriado Arquivo X), e acreditar em extra-terrestres. A verdade está lá fora.

Terça-feira, Maio 29, 2007

Abdução Extra-terrestre

Votem no vídeo sobre "Abdução Extra-terrestre" que conta com a participação de um dos membros do esparro, Marcelo Scotton.

O endereço para votar é:

http://www.curtas-metragensneosaldina.com.br/codigos/play_video.asp?act=5&destinatarioID=14905

Votem lá, valeu!

Sexta-feira, Maio 11, 2007

O papa é pop

Mesmo eu não querendo ir ver o papa, o papa vem me ver. Não me refiro somente ao fato de Bento XVI ter vindo ao Brasil e eu não ter ido a Roma. Ele invadiu meu canal de notícias, meus telejornais (noturno e matinal) e o jornalzinho que leio no café da manhã.

Quando uma personalidade como o papa Bento XVI vem ao Brasil, vários movimentos sociais, filósofos e afins saem da geladeira, pegando carona na visita do religioso. E nada muda. Permanece tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Os movimentos pró-aborto continuam com a mesma fraqueza argumentativa. Os movimentos gays continuam precisando de mais seriedade nos protestos. Leonardo Boff continua com a mesma barba grotesca. Henry Sobel, já nem tanto na geladeira, continua falando um português ruim e sendo jocosamente associado ao roubo das gravatas.

O cenário montado para ver o papa tem mais pompa e circunstância do que de um grande show de rock. Inclusive o público já é maior que o de grandes bandas internacionais que aqui estiveram neste ano. Até os gritos histéricos e faixas confeccionadas são bem semelhantes. Bento XVI é o Roger Waters dos coroinhas e beatas.

É difícil, até mesmo para os mais ingênuos, acreditar que a visita de Bento XVI seja simplesmente para abençoar a América do Sul e o Brasil. Alguém um pouco mais esperto pode perceber que é uma visita meramente política. As opiniões da Igreja Católica já não soam mais com a mesma força dentro da sociedade. Nem o mais fervoroso fiel consegue concordar com o veto do preservativo nas relações sexuais. O aborto é amplamente discutido, inclusive com muitos adeptos favoráveis a ele dentro da própria igreja católica.

É claro que, provavelmente o papa Bento XVI nunca irá ler um artigo meu. Mas mesmo assim, procrastinando um pouco, deixarei um legado opinativo inútil para a posteridade: está na hora da igreja acompanhar as mudanças da sociedade, se quer que sua opinião continue tendo o mesmo peso dos últimos séculos. Caso contrário, uma visita como essa servirá apenas como uma expressão fugaz de fé e devoção religiosa. Os costumes e as opiniões da igreja serão pouco lembrados e levados a sério pelos fiéis. E tudo irá se resumirá aos gritos histéricos, desfile-show do papa móvel e comparações com espetáculos de rock. É o pop, que não poupa ninguém.

Marcelo Scotton

Terça-feira, Abril 24, 2007

Videocrônica :: O maior brasileiros de todos os tempos

Sexta-feira, Abril 20, 2007

Feira livre de opiniões

Agnaldo Timóteo, cantor, tem uma opinião contundente sobre prostituição infantil e aborto. Virna, ex-jogadora de vôlei, opina sobre dança. Suzana Vieira, atriz, fala com autoridade – e claro, experiência própria - sobre sucesso no casamento. Galvão Bueno e Soninha Francine, na verdade, tem opinião sobre praticamente tudo: novela, esportes, política, personalidades, sobre você e o que mais cair no colo.

Alguém um pouco mais bobo e patologicamente patriota, poderia atribuir este fenômeno opinativo tupiniquim à uma capacidade exclusiva do brasileiro, que por ter nascido em um território abençoado por Deus (sic), naturalmente adquiriu inteligência e capacidade crítica suficientes para opinar sobre assuntos aos quais jamais procurou se aprofundar.

Infelizmente, como as eleições nos deram uma prova cabal de que a capacidade crítica e a inteligência não são os nossos pontos fortes, constatamos que a realidade não é bem essa. O povo prefere a oferta intelectual de uma Suzana Vieira do que a de um João Ubaldo Ribeiro. Além disso, está implícita na alma do brasileiro, representada por artistas emergentes, a vontade de expressar qualquer bobagem em rede nacional, seja na TV, rádio, internet ou jornal. Mal posso esperar para conhecer as opiniões de Diego Alemão sobre economia de mercado e arte barroca. Quem viver, verá.

No Brasil, todo mundo tem opinião sobre tudo. São opiniões convencionais, pré-fabricadas por alguém, desinteressantes, desimportantes e repetidas pelas pessoas. O advento dos blogs na internet alavancou ainda mais este fenômeno. Enquanto isso, o mercado literário está em baixa. O mesmo indivíduo que opina gratuitamente atrás de um aplauso ou reconhecimento de uma platéia subserviente, não se atreve a ler um mísero livro por ano. Um mísero jornal por semana. Por estes e outros motivos, seus gurus intelectuais limitam-se ao Jornal Nacional e celebridades globais.

É por isso que digo que a opinião no Brasil está com valor baixo. Muito, muito baixo. É muita oferta no mercado. Oferta grande que ninguém vai se dar ao trabalho de ler ou ouvir. Mas é aquela velha história de se projetar no ídolo: se a Luana Piovanni pode opinar sobre o problema da polícia do Rio, porque você não pode dizer algo sobre aquecimento global?

Sou fã confesso do comentarista esportivo Silvio Lancelotti. Como ele não entende absolutamente nada de futebol, durante os jogos que ele comenta, fala apenas daquilo que sabe (muito bem, diga-se de passagem): cultura italiana e receita de macarronada. Na hora de falar sobre política, Chico Buarque deveria seguir seu exemplo, falando apenas sobre músicas, letras e composições. Ou então, é claro, deveria ficar de boca fechada.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Abril 04, 2007

Bush, o injustiçado

Um leitor reclamou que não escrevi nada sobre a visita de Bush ao Brasil. Acrescentou que perdi tempo falando mal do Pan-Americano e do cinema nacional. Nas grandes cidades, sonhadores das universidades públicas, gente do MST, da União dos estudantes, simpatizantes e militantes de esquerda esbravejaram contra Bush, fazendo passeatas de protesto. “Fora Bush!”, foi o tema recorrente e incessante.

Não entendo essa cisma com Bush. Ela é injusta. Temos um caminhão de coisas para implicar antes dele. Uma delas é o Timemania. O Timemania é uma loteria criada com dinheiro público para salvar clubes de futebol falidos. Como se o pobre do contribuinte tivesse alguma coisa a ver com isso. A loteria sanaria as dívidas dos clubes, até quando viesse um novo dirigente para levar o clube novamente ao fundo do poço, criando-se assim um ciclo vicioso com o nosso dinheiro. A falência do futebol seria, em minha opinião, uma bênção para o Brasil. Assim poderíamos nos esquecer dos esportes e priorizar coisas bem mais importantes no dia-a-dia, como a educação e a saúde.

Nas últimas semanas, falou-se também em aumentar a verba de gabinete dos deputados em 28%. De R$ 51 mil para R$ 65 mil por mês, e por parlamentar. Pergunta: essa porcentagem seria acrescida àquela outra proposta, a de dezembro passado, onde os parlamentares propuseram dobrar seus salários? Mais cisma pertinente? Mês passado, Lula anunciou que o governo cortaria verbas justamente em um setor decisivo para o crescimento do país: a infra-estrutura. Disse para o povo ficar tranqüilo, pois ainda assim, o PAC não sofreria impacto. Será mesmo que um corte na infra-estrutura não afetaria o PAC? Presumo que, se o mundo acabasse amanhã, apesar de todos nós estarmos mortos, continuaria tudo bem aqui embaixo com o PAC.

Entretanto, deveríamos cismar mesmo é com a surreal proposta do senador do Maranhão Edison Lobão, que propôs a criação de um novo estado para o Brasil: senhoras e senhores, o Maranhão do Sul! Não é piada, aconteceu. Com um país quebrado, afogado em uma dívida pública impagável, com um custo de funcionamento público astronômico, este senhor teve o despropósito de convidar os demais deputados a votar pela criação de mais um estado. Estado este que geraria mais gastos para criação de novos cargos públicos. Pergunta: certificaram-se de que não era um primeiro de abril? Creio que a única atitude honesta diante de uma proposta bizarra como esta, seria pedir desculpas ao senhor Edison Lobão por levá-lo a sério no plenário.

Acho, portanto, que devemos nos esquecer do eterno “usurpador estrangeiro”, toda aquela ladainha de “neoliberalismo” que só vive na cabeça de gente como Emir Sader, e começar a colocar a culpa em nós mesmos, os verdadeiros responsáveis por toda esta miséria. Todo dia temos um bom motivo vindo lá de Brasília para protestar. Mas parece que infelizmente o povo brasileiro só quer protestar mesmo é contra o Bush.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Março 12, 2007

Pan no Brasil? Eu torço contra.

Pan-americano no Brasil. 684%. Porcentagem que significa o aumento da chance de sediarmos uma Olimpíada após a realização do Pan? Não. Esse número representa a porcentagem a mais do que a prevista em 2002 com relação aos custos do evento a ser realizado no Rio. Ou seja: saltamos de R$ 409 milhões para R$ 3,2 bilhões de gastos oriundos dos cofres públicos. Do meu imposto, do seu imposto, imposto dele e da sua empresa.

Achei que havia votado nas últimas eleições em busca de um governo que fosse aumentar o PIB do meu país e não para promover um mega-evento esportivo. Em todo caso, felizmente ainda posso criticar, pois votei contra este governo. Nunca tivemos um orçamento 684% maior para a segurança pública neste país em um espaço de 5 anos. Ou seja, fica claro que os problemas sociais no Brasil não se resolvem simplesmente pela má vontade de resolvê-los. Além da incompetência e má administração de recursos, é claro. O Pan primeiro. Os seqüestros, assaltos e esquartejamentos, depois.

O que mais incomoda nisso tudo é constatar a grande porcaria que o Pan-americano é. O torneio, em si, é uma feira de nulidades e calouros do esporte. Bom para quem está começando, irrelevante para quem está estabelecido no esporte. Até mesmo os brasileiros nunca levaram o Pan muito a sério, exceto agora que ele será disputado no Brasil e as verbas públicas pipocam para os participantes.

As norte-americanas Misty May e Kerri Walsh, atuais campeãs olímpicas do vôlei de praia, por exemplo, não virão ao Rio. O motivo é simples: “Para nós, não é uma competição importante”, relatou Walsh. Do outro lado, as principais duplas brasileiras, ausentes no último Pan, virão desta vez para o Rio com sua força máxima. Contrapondo esta importância exagerada ao Pan, Walsh ainda emendou: “Acho que não vamos mandar ninguém. Mas a imagem do Pan-Americano nos Estados Unidos, pelo menos no vôlei de praia, é de que é uma competição para iniciantes”.

Percebemos claramente que o Pan-americano será uma grande ilusão para os brasileiros, onde bateremos, sim, atletas inexpressivos de outros países, alimentando um ridículo orgulho pátrio. Não estaremos testando nossos atletas contra coisa alguma a nível mundial ou mesmo continental. Só aumentaremos o patriotismo que todo político caudilho quer e tanto precisa ter. Daqui um ano, nas Olimpíadas, teremos a prova do quão fracos ainda somos no esporte mundial.

É por essas e outras que no Pan, terei uma bandeira: o contra o Brasil. Na natação, vôlei de praia, tênis, ginástica ou qualquer outra modalidade, torcerei sempre contra o Brasil. E sou exigente: vou querer sempre a eliminação precoce, antes das finais. Nada de esperanças. E de preferência, uma derrota para um atleta argentino. A cada derrota, sentirei a vingança da minha CPMF contra o populismo. O golpe do meu FGTS contra a manipulação de massa. A derrocada do pão e circo pelas mãos do meu ISS.

Marcelo Scotton

Quinta-feira, Março 01, 2007

Apenas mais um.


Pronto. Aconteceu de novo. João Hélio, uma criança de seis anos de idade, precisou morrer de maneira trágica, na mão de vagabundos, para que o Brasil acordasse.

Quantas vezes já vimos esse filme? Um assassinato cruel, comoção nacional, passeatas e protestos estéreis, manifestações populares, políticos oportunistas, show da imprensa. Para dar uma “resposta” à população, a justiça brasileira, reconhecidamente lerda, julgará os vagabundos em três meses. Um recorde. Antigos debates voltaram à tona com força total: pena de morte, redução da maioridade penal etc. Mas nada vai mudar. Nunca mudou, não será agora. Podem ter certeza.

Infelizmente, a morte de João Hélio não valeu e não valerá de nada. Ele é apenas a bola da vez, o filme da semana. Se não tivesse sido arrastado por sete quilômetros e não houvesse tantas testemunhas, os vagabundos ainda estariam soltos. Se fosse uma bala perdida, por exemplo, ele seria só mais um na estatística. E logo será.

Alguém se lembra do nome da garota morta em rede nacional por outro vagabundo, no assalto ao ônibus 157, no Rio de Janeiro, há alguns anos atrás? E o da modelo queimada no ônibus da Itapemirim no ano passado? Alguém? Alguma coisa mudou depois destas brutalidades? Certeza que não.

João Hélio será esquecido em poucos dias. Será, para sempre, um rosto numa camiseta, guardada com carinho pelos seus familiares. Provavelmente, ouviremos seu nome quando do julgamento dos vagabundos e, mais à frente, nas retrospectivas de fim de ano. Nada mais do que isto.

Pensando melhor, devo corrigir o primeiro parágrafo. A morte de João Hélio não acordou o país. O Brasil tomou apenas um pequeno susto e deu uma reviradinha na cama. Logo logo, volta a hibernar, passivo e omisso como sempre.

Bruno Fernandes Souza

Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

O eterno carnaval brasileiro


Não sei qual o motivo de tanta movimentação e expectativa em torno do carnaval. Nós já não vivemos em uma eterna folia o ano inteiro? Para mim, o carnaval deveria servir para celebrar outra coisa, que é o apogeu da determinação e da vontade de fazer as coisas do brasileiro. Como bem me disse meu sogro, carnaval é a ocasião certeira para deixar o carro na garagem na sexta-feira e retirá-lo somente na quarta-feira de cinzas. Aconselhado, fiquei acompanhando neste período, entre momentos de ócio produtivo e improdutivo, a folia pelo país inteiro pela TV, em casa. Fiquei impressionado.

No nordeste, uma semana antes do sábado de carnaval já era comemorada a festa popular mais aguardada do ano. O brasileiro é engraçado. Ninguém paga uma conta uma semana antes do vencimento. Ninguém cumpre o prazo de um projeto uma semana antes do combinado. Ninguém faz praticamente nada uma semana ou mesmo um dia antes do combinado, a não ser que se trate de carnaval e farra popular.

No interior mineiro, milhares (ou milhões?) de jovens não só das Gerais como também de estados vizinhos aglomeraram-se em prol da explosão do prazer carnavalesco, celebrado nas cidades históricas mineiras. A mobilização foi comovente. Microônibus, ônibus fretados, rios e mais rios de dinheiros investidos em hospedagens caras, cervejas quentes e destilados de toda ordem fizeram parte da folia. Quando é que houve uma mobilização desta magnitude para protestar contra a sofrível qualidade do ensino que os próprios jovens recebem? E quanto a falta de oportunidades no mercado de trabalho brasileiro, que aliás, registrou queda na renda e aumento no desemprego em janeiro? Já viram mobilizações contra estas mazelas sociais? Eu também não.

Já no Rio de Janeiro, berço do samba, suor e ouriço, eu vi as maiores provas de determinação, garra e luta de um povo. Vi gente que mal tem o que comer empurrando carros alegóricos de escola de samba em um calor de 40 graus, durante mais de uma hora. Vi desempregados vestirem fantasias carnavalescas pelas quais pagam mais de mil reais, em prestações a perder de vista. Vi gente chorar durante o desfile das escolas de samba, durante a votação pela escola de samba campeão e também durante a violência sofrida do lado de fora do sambódromo, após o desfile. Vi o prefeito César Maia, o governador Sérgio Cabral, todos no camarote da Sapucaí, no meio de risos e tapinhas nas costas.

Isso tudo mesmo com o caos urbano que aquela cidade vive. Isso mesmo após a morte dantesca do menino João Hélio. E toda multidão que se esforçou, pelejou e se matou durante o carnaval, jamais mostrou tamanho vigor para sair da própria miséria na qual se meteu. No Brasil, deveria ser proibido fazer carnaval. Não é nem pela óbvia soberba de fazer festa no meio de uma guerra civil não-declarada. É porque até mesmo pra fazer festa, a gente tem que ter certeza que vai chegar vivo em casa. E claro, para gente não se acostumar com a idéia de que pagar a luz é menos importante do que sassaricar na avenida.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Fevereiro 12, 2007

Lucros e dividendos da ditadura


O Brasil precisa, com urgência, de algum fato histórico marcante. Irei torcer pelo PAC. Tomara que ele entre para os livros de história, e seja assunto em nossos filmes, conversas e debates por décadas e mais décadas. Que tal o longa-metragem “Os Anos Dourados do PAC”? Talvez assim diretores de cinema, intelectuais (?), artistas e escritores engajados se esqueçam da ditadura militar, que pertence a outro momento histórico.

Se a ditadura é tão comentada até hoje, creio que seja um bom negócio falar dela. A Lei de Anistia, por exemplo, foi criada para, entre outros objetivos, contemplar com aposentadorias milionárias vários presos políticos da época. Entre alguns anistiados políticos dos tempos da ditadura, estão escritores, cineastas e até gente que está no poder, como políticos do calibre de um José Dirceu.

Através das obras cinematográficas e literárias contra a ditadura, também ficou fácil transmitir toda uma ideologia romântica de esquerda para a população. O brasileiro é genuinamente de esquerda, isso é fato. Ele não sabe se ela é boa ou ruim, mas aprendeu a ser de esquerda e a dizer sempre um simplista “o capitalismo fede” diante das dificuldades da vida, Melhor reclamar do capitalismo do que tirar a bunda do sofá. Afinal, receber assistencialismo do estado é bem mais cômodo do que pegar na enxada.

Além da ideologia política, foi transmitida a população o reducionista conceito de que a ditadura representa o mal. E o movimento estudantil e todo resto contra a ditadura representa o bem. Bem e mal, mal e bem. Sempre acabamos nesta discussão maniqueísta. Não tenho a menor simpatia por nenhum dos dois lados, mas é no mínimo nauseante esta rotulação de bem e mal. A visão de que a ditadura é o mal pode estar apenas na boca de quem conta. Amanhã, se surgir um cineasta simpatizante dos militares, ou um escritor, ou um músico, fatalmente ele irá contar que os militares são os “mocinhos” e os estudantes e ativistas são os “bandidos”, transformando a discussão num hipotético céu e inferno brasileiro.

Os argumentos prós e contra são fartos para os dois lados. Os militares tinham autoridade e não permitiam a criminalidade ousada que existe hoje, mas em contrapartida limitavam a liberdade de expressão e torturavam inimigos. Os estudantes lutavam pela liberdade de expressão do povo, mas são acusados hoje, como bem relata um livro do jornalista Carlos Amorim, de terem dado origem a movimentos guerrilheiros e ao crime organizado nos grandes centros urbanos.

Na minha humilde opinião, a ditadura abordada até hoje está em outra questão: por qual dos dois lados que contam a história você vai querer ser embromado?

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

O patriotismo gratuito

Toda vez que escrevo um artigo falando mal do Brasil, das duas uma: ou sou visto com antipatia ou sou agredido verbalmente. Não sei qual o motivo de tanta injúria. Dizem que normalmente nos sentimos ofendidos quando temos dúvidas se o objeto da ofensa é verdadeiro ou não. Eu entendo que além disso, existe uma certa tirania ideológica nestes protestos, sempre prontos para suprimir qualquer idéia ou posição contrária das que defendem. Mas isso eu deixo para os terapeutas e psiquiatras.

Pois bem, antes de mais nada, vou ser definitivo: eu não tenho nada contra o Brasil. Acho até que, percorrendo uma forçada lógica do meu raciocínio, só escrevo coisas demais contra o país porque no fundo devo me importar, e anseio por mudanças profundas em quase todos os aspectos. Prefiro fazer parte do bloco dos indignados do que da massa dos milhões de patriotas gratuitos.

E é justamente essa adesão gratuita ao patriotismo que me incomoda. O país tem um déficit gigantesco com cada cidadão brasileiro. São infortúnios políticos, culturais, sociais, logísticos, morais, econômicos e de dezenas de outras naturezas. O país todos os dias faz das tripas coração para que o povo o rejeite, o ache barato, o ache insuficiente, mas nunca consegue. O efeito é justamente o contrário. Um empreguinho público ou um título do Brasileirão estão sempre ali para salvar as costas do patriotismo. Ou então o carnaval, ou as mulheres esbeltas. E assim ficamos perpetuados nesta condição, neste jeito brasilis de viver, nessa coisa meio de “mulher de malandro”.

A isto eu alcunho de patriotismo voluntário. Uma espécie de servidão voluntária, onde o sujeito está pronto para amar, defender, consumir, idolatrar algo que não lhe gera nenhum benefício, nenhum retorno, nenhum resultado concreto de volta. Ele se apaixona por uma idéia que no pesar da balança, lhe trás muito mais desgostos do que felicidades.

Respeito quem faz opção pelo patriotismo. É do direito de cada um gostar de ser patriota ou não gostar de cebola. Achar Hugo Chávez um bom homem ou achar que teatro de rua é a chave para a cultura. Só não aceito mais ser insultado por que não sou patriota gratuito. No dia que o Brasil der algum motivo para mim ou para a população que eu entendo ser digno de orgulho, eu o defenderei com propriedade. Mas a esta servidão, a este consenso patriótico gratuito, definitivamente não posso me juntar. Por fim, digo que meu patriotismo nem é muito caro: um pouquinho de segurança pública e de leis mais rígidas já ajudariam bastante.

Quinta-feira, Janeiro 04, 2007

Previsões para 2007

Amigos leitores deste blog meia-boca, seguem algumas previsões para o ano que se inicia:

- Surgirão mais alguns escândalos de corrupção na política nacional, o governo fará tudo para impedir novas CPIs, que acabarão acontecendo mesmo assim, porém ninguém será punido. Lula continuará dizendo que não sabia de nada, alegando que tudo não passa de um golpe das elites para boicotar seu governo.

- Simony vai ter um filho. O pai será um pagodeiro e o parto será transmitido no programa da Sônia Abrão.

- Ronaldo irá ao SPFW, onde se apaixonará por uma modelo até então desconhecida do grande público. Os dois vão começar um namoro e o cachê da moça subirá de 15 para 150 mil reais.

- Ronaldo terminará o ano solteiro e negando que esteja gordo.

- O crescimento do PIB não passará de 2,5%, bem longe dos 5% prometidos pelo governo. Lula justificará dizendo que o importante é crescer sem cometer loucuras na economia e que está sendo formada uma base econômica sólida para então crescermos 5% no ano que vem.

- Deborah Secco vai conhecer o amor de sua vida e fará uma tatuagem em homenagem ao novo namorado. O romance acaba antes do fim do ano, quando ela descobre o verdadeiro amor de sua vida e fará nova tatuagem.

- Scheila Carvalho vai posar pra Playboy.

- Regina Casé estreará um novo programa na Globo, cujo conteúdo será repleto de visitas à periferia de grandes cidades e viagens pelo interior do nordeste. O programa deverá chamar "Brasil que eu adoro", "Minha gente brasileira" ou algo do tipo.

- Romário assinará contrato com o Íbis, prometendo chegar aos mil gols.

- Maradona terá uma recaída e será internado em uma clínica de reabilitação. Os argentinos irão fazer uma vigília na porta da clínica pela saúde do ídolo.

- Gugu Liberato fará um programa especial em homenagem à morte dos Mamonas Assassinas, e levará ao palco uma vidente e uma ex-namorada do vocalista.

- Será descoberta uma revolucionária dieta emagrecedora, que permite à pessoa perder peso comendo tudo o que deseja.

- Datena vai estrear um programa na Record. Em seguida, deve ir para a Band, voltar para a Record e depois para a Band de novo. Tudo indica que deve fechar o ano na Rede TV!.

- Silvio Santos vai mudar o horário de Chaves.

Bruno Fernandes

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

Antes Morrison que Guevara

O ativismo fashion está na moda. Jovens pedantes e até adultos pedantes vestem-se com a imagem do ex-guerrilheiro e terrorista Ernesto Che Guevara estampada em suas camisas. E não importa onde seja: tanto nos grandes centros urbanos quanto nas menores cidades do interior tupiniquim.

Não vejo problema algum em querer se vestir mal. É o que mais se vê por aí. O grande problema é que estes pseudo-ativistas sequer imaginam quem é o homem por trás do rosto que estampa suas camisas. E quando sabem, tem uma informação caolha e distorcida, geralmente repassada por folhetins comunistas ou diretórios estudantis politicamente comprometidos.

Segundo o best sellerLe livre noir du communisme” (O livro negro do comunismo), Che Guevara era um comunista convicto. Acreditava que a solução de todos problemas sociais estava no regime adotado por genocidas da estirpe de Stálin e Mao Tse Tung.

Che participou juntamente com Fidel Castro da tomada de poder em Cuba. Uma passagem do livro relata que como comandante de uma coluna, Che chegou a executar um subordinado que furtara comida. Sem defesa e sem apelações, o subordinado foi executado por sentir fome.

Che Guevara participava assiduamente do “paredón” cubano, ou seja, da morte de milhares de pessoas. Era conhecido entre seus convivas como um homem impiedoso e intolerante, chegando a matar um jovem chefe político simplesmente por discordar de suas posições. Nomeado mais tarde encarregado do Banco Central Cubano, promoveu um verdadeiro desastre econômico no país, já que só entendia de guerrilhas e execuções. Fazia chantagens e ameaças a cidadãos que se recusavam a trabalhar no “domingo de trabalho voluntário”, criado por ele próprio.

Poderia citar pelo menos mais uns 20 casos de crueldade vindos de Guevara, mas fecharei sua mini-biografia retirada do livro negro com uma frase atribuída a ele: "Adoro o ódio eficaz que faz do homem uma violenta, seletiva e fria máquina de matar". Muitos pseudo-intelectuais socialistas e comunistas que idolatram Che defendem que tudo que ele fez foi dedicado a um ideal. Engraçado é que podemos afirmar a mesmíssima coisa do sr. Adolf Hitler, que dispensa apresentações.

Por isso é que prefiro que o falecido vocalista do The Doors, Jim Morrison, outro ícone facial que está na moda, tome o trono de Guevara no mundo fashion. Todos sabem que ele era viciado em drogas, que ele bateu em Janis Joplin, que era alcoólatra e um exemplo péssimo para os jovens. Mas ainda assim todos gostam dele pelo que ele realmente é. Sua história não é uma mentira que transforma um terrorista em idealista e revolucionário. Melhor do que ostentar um pseudo-ativismo é jogar as camisas de Che fora e começar sua própria revolução.

Marcelo Scotton



Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

A retrospectiva 2006


Acabou mais um ano ruim para o Brasil. E quando é que tivemos um ano inteiramente bom? Sempre houve alguém ou alguma coisa que manchasse um período em que estivéssemos perto de algo satisfatório.

Em janeiro, o de sempre: um verão de muitas bundas, sol, cerveja, muita gente ociosa e pouca ou nenhuma produtividade no país. Em fevereiro, nosso carro-chefe: carnaval, folia, novamente cerveja e bundas, e um mês totalmente focado na festa popular, certamente sem nenhuma produtividade.

Em março, nos agarramos na velha esperança de que “agora vai, agora o ano começa”. Mas aí quem decidiu agir foi o exército, ocupando favelas nos morros cariocas atrás de fuzis roubados. Violência, outro carro-chefe nosso. E tivemos a grande empulhação patriótica do ano, torrando milhões de reais numa viagem infrutífera e sem resultados para a nação, levando o astronauta-sorriso Marcos Pontes ao espaço.

Em abril, mais governo: Garotinho faz pirraça e inicia greve de fome. E em maio? Governo novamente. Evo Morales promove a estatização do gás boliviano, deixando a Petrobrás e nosso presidente com cara de tacho. Já repararam como o governo está sempre presente em nossas vidas? E já repararam como ele está sempre presente com notícias de ruins para péssimas?

Agora, junho. No Rio de Janeiro, mais violência. Um músico da banda Detonautas é assassinado por bandidos numa tentativa de assalto. Em São Paulo, impunidade: Pimenta Neves é mantido em liberdade pela justiça. Lula perde seu imitador oficial, o humorista Bussunda, que sofre um ataque cardíaco na Alemanha, onde por sinal começa a Copa do Mundo e todo engodo patriótico.

Em julho, o Brasil é derrotado na Copa do Mundo, que tem a Itália como campeã. Em agosto, boas novas em Cuba: Fidel Castro fica doente e a esperança pelo fim da ditadura castrista ressurge. Será? No Brasil, a violência come solta em São Paulo com os ataques do PCC. Já no Rio, um turista português é morto a facadas.

Setembro, a exemplo de todos os meses anteriores também não foi bom: Schumacher se aposenta e o avião da Gol cai no Mato Grosso. Em outubro, agraciamos o PT e Lula com novo mandato, apesar do mensalão, da dança da pizza e do crescimento medíocre da economia.

Em novembro, o sanguessuga Ney Suassuna é absolvido. Mais pizza. Em dezembro, a Venezuela reelege o demagogo-populista Hugo Chávez para presidente.

Como pudemos comprovar, a retrospectiva dos fatos no mundo variam. Alegrias e tristezas, algo normal. No Brasil, não. Todo ano é igual: começa com verão e carnaval e termina com corrupção, impunidade e violência. Com um ano tão ruim, ainda podemos esperar coisas ainda piores nos últimos dias de 2006. Coisas melhores, dificilmente. A não ser que Fidel Castro se habilite em salvar o ano.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Mais uma linda fábula

Certa feita, uma linda e arborizada floresta começou a pegar fogo. Os animais, assustados, começaram a correr, fugindo desesperadamente da bela floresta. Mas um deles, um passarinho, corajosamente decidiu fazer alguma coisa para impedir o ímpeto das chamas: ele pegava um pouco de água pelo bico e jogava água nas chamas, na tentativa de apagar o fogo. Os outros animais lhe diziam que seria impossível que ele conseguisse apagar o fogo sozinho. Mas o passarinho não hesitou em responder: “Não importa. Estou fazendo a minha parte”. Moral da história: devemos sempre fazer a nossa parte, mesmo que pequena.

Quem nunca ouviu esse conto quando criança? Este é um dos maiores clássicos do politicamente correto. Dizem que é uma fábula. Eu discordo. Para mim, é um engodo travestido de fábula.

Essa onda politicamente correta automatiza todas as nossas faculdades mentais. Veja o pobre do passarinho. No seu ato politicamente correto, preocupou-se com o bem estar geral, tentando apagar o fogo, sem sequer questionar quais seriam as razões primeiras que causaram o incêndio. Um cigarro aceso em determinado local que multiplica as chamas? Um desastre natural também em determinado ponto? Um grupo anti-greenpeace agindo sorrateiramente nas redondezas munidos de álcool e fósforo? Não importaram descobrir as causas do incêndio, e sim os efeitos do fogo.

No mercado de trabalho, eu consigo ver isso todos os dias. Consultores alimentando a doença organizacional das empresas, não conseguindo nunca vencer as reais causas dos problemas. Na vida de pessoas próximas, também consigo ver isso todos os dias. Vejo amigos se aventurando em tentativas inócuas de ganhar dinheiro, nunca optando por fazer um planejamento ou definir um objetivo concreto. Depois só lhes resta pegar um pouquinho de água no rio para tentar apagar o fogo.

Sobre a moral da “fábula”, não estou defendendo que ninguém cruze os braços diante de alguma dificuldade. Estou mostrando apenas que devemos enxergar as coisas de uma ótica menos simplista, menos óbvia. Sugiro tentar fugir deste tipo de raciocínio que nos é passado diariamente através dessas empulhações e fábulas de meia tigela carregadas deste discurso politicamente correto. Sugiro tentar fazer as coisas de maneira diferente. Sugiro tentar descobrir a verdadeira causa das coisas, fazer um caminhão de perguntas para descobrir a origem dos problemas, e não tentar cessá-los com “o carro andando”.

Infelizmente, no Brasil, poucas pessoas compartilham desta ótica, e preferem seguir pelo caminho do passarinho. Por isso, optamos por bolsas assistencialistas ao invés de educação de qualidade. Pelo menos nos próximos 4 anos.

Quinta-feira, Novembro 23, 2006

Eu também quero multar


Em outubro último, fiz uma viagem de negócios à Belo Horizonte. Foi a viagem mais cara indo de carro para a capital de Minas que fiz até hoje. Caí em duas “armadilhas” nas estradas postadas por órgãos do governo e fui multado. Duas multas no total. Quase mil reais de punição por ter excedido em 12 e 20 quilômetros por hora respectivamente a velocidade limite de dois radares estrategicamente localizados.

O carro que foi multado tem traços da violência urbana. Falta-me a borracha que cerca o vidro ao lado do motorista, fruto de uma tentativa de furto do veículo. A fechadura do veículo multado está afrouxada, devido à outra tentativa de furto. Até o caput do carro tem sinais de violência. Só gostaria de entender o que o bandido quis que estivesse dentro do meu caput. O motor? A bateria? Ou um pouquinho de água do radiador para consumo próprio?

Apesar de sofrer este tipo de insegurança com meu patrimônio, infelizmente não posso multar o governo pela falta de políticas sérias para a segurança pública. Não posso multá-lo por sua burocracia ineficaz, que permite que toda sorte de delinqüentes habitem as mesmas ruas de pessoas honestas e idôneas, ao invés de estarem presos atrás das grades. Não posso puni-lo por não fazer absolutamente nada contra o avanço da criminalidade. Não posso puni-lo pela péssima gestão em todos segmentos de sua competência. Eu até tentei puni-lo nas urnas, mas programas assistencialistas que não levarão ninguém a lugar nenhum minaram minha diminuta empreitada. Ao invés de punição e multa, o governo foi premiado com votos, comícios, fanatismo e tapinhas nas costas.

Agora, só me resta cumprir a função de cidadão honesto e pagar esta imposição do estado. É claro que vai me custar um descanso nas férias. É claro que vai impactar nos presentes dos meus familiares no Natal. Não poderei viajar nem se me emprestarem a granja do Torto para uma mini-temporada de férias.

Mais uma vez, sinto-me parte desta balança desigual onde estão o estado de um lado e a sociedade do outro. Nesta balança, os ganhos são claramente unilaterais. A sociedade cumpre seus papéis e deveres, exceto na hora de votar. E o governo, por outro lado, somente arrecada. De troca, nos dá esta maravilha de estado, com carga tributária de 40% e que nos presta um serviço publico de enorme qualidade em qualquer segmento: saúde, educação, segurança, transporte, infra-estrutura e etc.

Dia 22 de novembro, se estivesse vivo, o ex-presidente francês, o general Charles de Gaulle completaria 116 anos. Vários franceses prestaram-lhe homenagens. Charles de Gaulle, cerca de 40 anos atrás já descrevia com fidedignidade o perfil de nosso país não só em relação àqueles tempos, mas também para futuras gerações: "O Brasil não é um país sério".

Marcelo Scotton

Domingo, Novembro 19, 2006

Dicas Quentes

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Imperialismo para quem precisa


O Brasil é cheio de mitos. Um deles reza que brasileiro que é brasileiro, odeia americano. E quem nunca torceu contra um nadador yankee nas Olimpíadas? Este ódio obviamente não partiu somente de nossa inveja pelo domínio norte-americano no cenário esportivo. Ao longo de nossa história, sempre atribuímos a culpa por nossa miséria aos americanos, ao invés de assumirmos a responsabilidade por nossa inconstância e incompetência.

Este torpe conceito nasceu em um dos pilares do esquerdismo, que diz que a miséria de um país está associada à exploração colonialista e imperialista dos países ricos. Na surreal lógica econômica deles, a miséria de um país está atrelada a riqueza de outro. Os termos imperialismo e colonialismo são apenas uma verborragia barata que faz populistas como Hugo Chávez ganharem adesão popular.

O pedante argumento colonialista é desmontado pelos fatos que a história nos mostra. Austrália, Canadá, Nova Zelândia e o próprio Estados Unidos foram colônias, enquanto a Etiópia e Libéria jamais foram colonizadas. Espanha e Portugal, antigos grandes colonizadores, hoje não estão entre os países mais ricos do mundo.

Já a falácia imperialista soa ainda mais ridícula, uma vez que o PIB dos americanos é 70% constituído pelo setor de serviços. Além disso, é no mínimo curioso que um PIB de trilhões de dólares seja materializado apenas pela exploração de países miseráveis, como os da América Latina.

É preciso entender que o próprio Brasil sempre foi o responsável direto pelos seus problemas. Traidores brasileiros destruíram o idealismo empreendedor do barão de Mauá. O povo elegeu e elege todos os anos os governantes que nada fizeram ou fazem pela nação. Elegemos aqueles que contraíram nossa impagável dívida externa. Nunca fomos capazes de produzir algo de grande interesse cultural para o resto do mundo. Nossa população sempre se rendeu ao futebol e a novela, mas nunca se preocupou em formar gerações com educação adequada.

Outra importante curiosidade, é que esse delírio anti-americanista é fomentado por artistas e pseudo-intelectuais tupiniquins. Aqueles mesmos que estão todos os anos passeando pelos Estados Unidos, fazendo compras, tirando fotos, construindo bonecos de neve e se divertindo no primeiro mundo capitalista que tanto abominam. Segundo eles, os americanos nos tratam como se fôssemos seu quintal.

Bobagem. Quintal de americano tem pai de família honesto, piscina, churrasqueira, nuggets, cachorro e crianças brincando alegremente. Não tem ditadores sanguinários de esquerda, seqüestro-relâmpago, trabalho escravo infantil, impunidade e prostituição barata. Muitos brasileiros ufanistas têm essa mania de acharem que somos a última bolacha do pacote. O Brasil não está na miséria porque existe uma conspiração mundial contra nosso país. Estamos na miséria porque somos incompetentes culturalmente. Estamos na miséria porque somos incompetentes industrialmente. Os Estados Unidos não tem interesse em nós. Tiveram interesse na Coréia do Sul, no Japão e em parte da Europa. Em nós não. Somos a bolacha esquecida no pacote.

Marcelo Scotton

Terça-feira, Novembro 07, 2006

Profissões Bizarras

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Eu acho, tu achas, ele acha

As redes de televisão de canal aberto vivem nos mostrando matérias sobre animais, sobre a flora amazônica e sobre alimentação na terceira idade. Nunca vi nada abordando a brasilidade. O nacionalismo exacerbado é uma das maiores patologias de nosso povo. Escute uma narração de Galvão Bueno. Aquilo não é saudável. Abordei este tema sistematicamente durante a Copa da Alemanha, na qual o Brasil naufragou.

Então é melhor achar outro tema para bater. O achismo do brasileiro, por exemplo, é um prato cheio para falar. São muitas questões a respeito disso. Se o sujeito não se interessa em ler sobre economia, sobre modelos de estado ou sobre o Foro de São Paulo, por que ele quer ter uma opinião? Qual o prazer que as pessoas tem de ter opinião sobre assuntos que não lhe interessam? Qual o porque dessa mania brasileira?

O achismo deriva da baixa auto-estima do sujeito. O sujeito tem plena consciência de que ele não sabe nada sobre determinado assunto. Ele sabe que acabou de inventar aquela opinião. Mas ele quer aparecer, quer ganhar um aplauso, quer ser reconhecido. A verdade é que no fundo todos o acham pacóvio. Mas ele está ali, pronto para emitir uma opinião.

Uma opinião inconsistente e sem conteúdo não tem valor algum. É uma mentira. E a mentira é ilimitada. Esta tendência para a mentira vem lá de trás, de nossos ancestrais. Como não nasci no século dezenove, tenho como referência os personagens literários de Machado de Assis. São todos falsários, farsantes, picaretas e trapaceiros. E os de outros autores brasileiros, em sua esmagadora maioria, também. Na Europa, não. Lá você tem um estereótipo bem mais diversificado, pessoas de todos os tipos. Basta ver os contos de Maupassant ou a obra de Flaubert. Tem gente de boa qualidade e tem gente de má qualidade. Aqui no Brasil vivemos à sombra de Macunaíma e sua “excelente“ influência na constituição moral que passa de geração em geração.

Batendo no liquidificador o achismo, a baixa auto-estima, a mentira e o próprio Macunaíma, o resultado só pode ser eleições presidenciais de 2006. Deu Lula. Lula não venceu Geraldo Alckmin. Lula venceu os brasileiros. Venceu sua capacidade crítica e de julgamento do que é certo e do que é errado. O brasileiro, reelegendo Lula, mostrou ao mundo o quão permissivo foi com a avalanche de escândalos de corrupção do governo petista. Jornais da Espanha e dos Estados Unidos lançaram manchetes mostrando que o brasileiro desculpou a corrupção. Se a opinião dos estrangeiros vale ou não, não importa. Na minha humilde opinião, eles estão para lá de certos se acham isso do Brasil.

Marcelo Scotton

Dicas Quentes

Domingo, Novembro 05, 2006

Dicas Quentes

Nova série, com o humor e traço podre de sempre. Dicam o que acharam!

Sábado, Novembro 04, 2006

Momentos de Reflexão

Sexta-feira, Novembro 03, 2006

Horário Político

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Mais um motoboy-Paranóia incorporada.


Quinta-feira, seis e meia da tarde. Um dia como outro qualquer: marginal lotada, som do carro ligado. Mesmo não sendo novidade, achei que a lentidão do trânsito estava um pouco acima do normal. De repente, escuto uma sirene atrás de mim pedindo passagem. Na hora, pensei irritado: “Pronto, mais um motoboy”.

Alguns kilômetros à frente, minha previsão se confirmou. Lá estavam o carro do resgate, os paramédicos, o motoboy estendido no chão, imóvel e seus companheiros de profissão ao redor prestando ajuda. Aliás, não existe classe profissional mais unida do que a dos motoboys. Seja pra azucrinar, protestar ou assaltar, eles estão sempre juntos.

Meu olhar não se fixou por mais de cinco segundos na cena. Segui em frente, aliviado porque o trânsito começou a fluir. Somente quando cheguei em casa e deitei-me no sofá, fiz uma reflexão sobre o aconteceu. Eu havia acabado de ver um ser humano acidentado, correndo risco de vida e não senti nada além de: irritação, por ele ter empacado o trânsito; satisfação, por ter adivinhado o motivo da lentidão e alívio, ao sair do engarrafamento. Em nenhum momento eu me apiedei. Nenhum sentimento como compaixão ou solidariedade.

Cheguei a sentir culpa. Então me dei conta que não me sensibilizei com a cena simplesmente porque ela era parte da minha rotina. Toda semana, salvo raríssimas exceções, eu vejo um motoboy acidentado e, muitas vezes, morto. Assim como fazem parte da minha rotina as sirenes, os carros da polícia em alta velocidade, as blitzes, os noticiários sangrentos e os moleques no sinal. Nada disto me afeta mais. Nada mais me causa espanto.

Se, na minha infância, um colega me contasse que o pai tinha um carro blindado, seria motivo de chacota. Hoje, carro blindado é status. Nunca dei um tiro na vida, mas sei muito bem o que é um AR-15 ou uma AK –47. As estrelas dos noticiários, hoje em dia, não têm nome artístico, mas nomes de guerra: Marcola, Beir-Mar, Andinho, Chapinha e por aí vai. São os reis do Ibope.

Mas, mesmo vivendo em meio a tantas desgraças, o brasileiro em geral insiste na idéia de que vive em uma terra abençoada, agraciada com belas paisagens, belas bundas, futebol e todo aquele blá blá blá que está cansado de ouvir desde que nasceu. Ele assiste aos jornais e se pergunta como os iraquianos conseguem viver em meio a tantas explosões e assassinatos. Como se houvesse alguma diferença entre Bagdá e o Rio de Janeiro ou São Paulo.

No fim, é tudo a mesma coisa. Cada um incorpora a paranóia à sua maneira. Se os iraquianos justificam suas desgraças acreditando estarem vivendo uma guerra santa, os brasileiros se escondem atrás do seu discurso ufanista e empurram suas mazelas para debaixo do tapete.

No meu caso, para fugir da paranóia, pretendo seguir meu plano de vida à risca: trabalhar, casar e ir morar num canto praiano no sul do país. E claro, comprar uma moto.

Bruno Fernandes

Domingo, Outubro 29, 2006

Horário Político



Desculpem o atraso e segurem suas carteiras: É Mula de novo, roubando o povo.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

O ruim de ranking


Todo mundo tem uma solução para o Brasil. Basta ir à praça. Basta ir à igreja. Basta freqüentar a fila do banco. O problema é que, ironicamente, ninguém soluciona o Brasil. Se a oferta de discursos ocorresse na mesmo proporção da oferta de ações concretas, talvez teríamos um país com uma massa de heróis e não com uma massa de bundões.

Está claro que o Brasil não tem capacidade administrativa. O Brasil é péssimo nos rankings. É o modesto 72º na educação. É o 5º com maior incidência de homicídios entre jovens. Na desigualdade social, é o 167º pior. No quesito desemprego, é o 99º mais desabonado. E na exclusão social? O 109º mais sofrível.

Infelizmente, quem sempre toma as decisões que poderiam melhorar estes indicadores são políticos, guerrilheiros, comunistas, fazendeiros e nunca os técnicos. O Brasil está pedindo para ser derrotado. Diariamente provoca o destino. Lesoto, Nigéria e Namíbia estão na nossa cola nos rankings de desenvolvimento.

Como observamos, problemas para citar é que não faltam. Um dos maiores, sem dúvida é a criminalidade. Para começo de conversa, não serei mais um a apontar soluções, até porque o crime no Brasil não tem solução. Se algum dia tiver, talvez o país mude até de nome. O fato é que temos cerca de 50.000 homicídios por ano. São números de guerra. Nossos números anuais da violência são piores do que os da ocupação americana no Iraque. O país, ao menos através das estatísticas, é passível de intervenção estrangeira.

Sociólogos, pseudo-intelectuais, docentes marxistas e toda sorte de opinionistas acham esse número alto. Eu discordo. É baixo. Para um país que não faz nada para deter a criminalidade, até que não estamos tão ruins.

A mesma coragem que falta ao governo para o combate ao crime, sobra ao bandido para promovê-lo. Uma coragem intrinsecamente ligada à agressividade de um sujeito sem cultura e sem perspectivas. O Brasil é o 72º colocado no ranking de educação.

Podem estar achando que sou pessimista. Mas não vou escrever sobre fantasia, e sim sobre realidade. E a nossa realidade é essa, de uma guerra civil não-declarada. Se fosse para dissecar sobre este assunto de maneira surreal e fantasiosa, podem ter certeza: ou seria leitor assíduo de Zuenir Ventura ou então escreveria novelas com o Manoel Carlos.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Quanto vale uma opinião?

Uma das tarefas mais divertidas que tenho diariamente é ler jornais de grande circulação e blogs de jornalistas. Não, não sou sádico. Afinal, não estou falando das notícias de escândalos de corrupção, apreensão de drogas e crimes hediondos que representam maciçamente o conteúdo dos jornais brasileiros. Meu divertimento é ver quem assina os textos mais tendenciosos dos jornais e dos blogs.

A Carta Capital, por exemplo, é divertida. Patrocinada pela Petrobrás e pelo Banco do Brasil, ela faz um discurso pró-governo através de Delfim Netto (o eterno deputado não eleito desta feita) e Mino Carta. Patrocinada por empresas estatais, qual articulista da “Carta” se atreveria a falar mal do próprio chefe patrocinador?

A Agência Carta Maior segue uma linha parecida. Tendo como berço o Fórum Mundial Social de 2001, o noticiário esquerdista conta com os surreais textos de Emir Sader e Flávio Aguiar, entre outros. Enquanto todos os veículos de imprensa sérios tentam investigar a origem do dinheiro do dossiê contra os tucanos, Flávio Aguiar insiste na inocência de Freud Godoy. Parece mais um kamikaze dos tempos da guerra fria habitando os dias de hoje, na busca por interlocutores. Já Emir Sader destila seu governismo também no Jornal do Brasil, que por coincidência, abarca em seu quadro de articulistas José Dirceu, o ex-ministro da Casa Civil, acusado de ser o mentor do mensalão petista.

Paulo Henrique Amorim é Lula até a morte. Faz mais propaganda do que o próprio presidente. Acusa Alckmin de ser pró-privatizações, ignorando o programa de governo do candidato do PSDB, que diz o contrário, além de outras críticas infundadas. Ele faz parte do portal iG, onde quem também escreve? Mino Carta, o da Carta Capital, dois parágrafos acima, a revista que conta com patrocínio de empresas públicas.

A revista Veja, solitariamente, é Alckmin. Publicou uma foto do candidato tucano na capa da revista. Para bom entendedor, uma capa de revista basta para constatar o apoio. Luis Nassif, mais uma vez do portal iG, teve a cara de pau de dizer que existe uma crise entre Lula e a mídia. Com tanto apoio de jornalistas, Nassif só pode estar enxergando crise quanto à busca da unanimidade na imprensa. Uma ditadura da opinião. A democracia dentro da mídia brasileira está a cara da Venezuela. Lá, com o apoio do petróleo de Hugo Chávez. Aqui, o apoio vem com o oferecimento de Petrobrás, “o desafio é nossa energia”. E Banco do Brasil, “o tempo todo com você”.

Quarta-feira, Outubro 18, 2006

Momentos de Reflexão

Terça-feira, Outubro 17, 2006

O escritório

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Momentos de Reflexão

Sábado, Outubro 14, 2006

Horário Político

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Momentos de Reflexão

Quinta-feira, Outubro 12, 2006

O Escritório



Sobre a falta de atualização, é aquela velha história: Trabalho, trabalho, trabalho. Mas infelizmente as vírgulas não estão significando pausa.

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

A vitória dos pernósticos

Meu aparato emocional é pobre. Não consigo me motivar nem me deprimir com nada. O Cruzeiro foi campeão? Ótimo, parabéns. O prefeito de minha cidade aumentou o IPTU? Droga, quem mandou vocês votarem nele? Mas depois de domingo, não. Sinto-me um homem mais intolerante após o debate eleitoral entre Lula e Alckmin.

Desconfio que, no Brasil, nem 0,1% da população tenha clareza sobre o papel que deve ser exercido pelo governo para poder decidir em quem votar. Votam no mito e na imagem que marqueteiros constroem de um candidato. O léxico do ignorante não pode conter palavras como privatização, Estados Unidos, fim dos concursos públicos e diminuição do estado. Gera faniquito. O que é lamentável é que quase 100% das pessoas que votam, não sabem quando essas palavras podem ser boas ou ruins para o país. Falam mal da privatização da telefonia, mas não querem nem lembrar da Telebrás. Falam mal dos americanos, mas não conseguem exportar nem vento para África. Falam mal dos impostos, mas querem o estado cheio de funcionários públicos de carreira.

Durante o pífio debate entre Lula e Alckmin, enquanto a maioria dos eleitores fanaticamente vibrava na sala de casa diante da “argumentação” de cada candidato, eu lamentava a falta de saídas para o Brasil. Quase ninguém percebeu, mas os presidenciáveis travaram uma patética disputa para ver quem vai aumentar mais o tamanho do estado. Para ver quem vai dar mais assistencialismo paliativo à custa dos impostos. Para ver quem enganava mais os eleitores de todas as classes sociais.

Em nosso país, os formadores de opinião geralmente são pessoas pernósticas, que não entendem o mais simples fundamento econômico. Como exemplo, artistas, atores, diretores de teatro e cinema, jornalistas de esquerda, cantores e todo tipo de pessoa sem conteúdo político, econômico e social, mas com “opinião formada sobre tudo”. Uma gente que acha que escutar Belchior e assistir filme de Jean Luc Godard é ser intelectual. Isso não é intelectualidade. É o mais puro mau gosto.

O Brasil precisa travar uma luta pela diminuição do estado. Quanto menos impostos, “menos pior” é o candidato. Como está é que não dá para ficar. A população precisa urgentemente se informar melhor. Sem informação, é melhor o indivíduo largar o fanatismo político pelo mito e as armadilhas de marqueteiros e anular o voto. Colunas de economistas, editoriais financeiros e depoimentos de empresários arrochados por astronômicos impostos podem auxiliar.

Como sou cético, e acredito que a esquerda romântica, a ideologia pedante e a ignorância da conjuntura política continuará firme e vigorosa no país, ainda teimo em concordar com o nosso saudoso Roberto Campos: “Para o Brasil só há duas saídas: o Galeão e o Cumbica”.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

"Até Lulla sabe em qual votar"


Essa daí é do amigo Jardel Siqueira, do blog http://opgn.blogspot.com.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Cadê a descrença?

Cadê a descrença? Há 15 dias, em um evento realizado em hotel na região de Campinas, 35 pessoas sofreram queimaduras de 1º e 2º graus ao serem incentivadas a caminhar sobre brasas. É isso mesmo. Explico: o palestrante Wagner Dias Barbosa Lima, “guru” da neurolinguística, após palestrar para um grupo de casais, os fez acreditar que através do poder da mente poderiam caminhar sobre brasas. Verdade. Por motivos óbvios, que incluem a credulidade vexatória, ninguém prestou queixa na polícia.

É incrível ver até onde vai a idiotice humana. Qualquer factóide pode ganhar uma enorme proporção porque temos uma massa de bilhões de indivíduos dispostos a acreditar em qualquer bobagem. Um amigo, para divulgar seu blog, resolveu divulgar que nele havia um vídeo exclusivo de 20 minutos – na íntegra - com cenas picantes de Daniela Cicarelli na praia com seu namorado. Resultado? Um aumento de 300% dos acessos do blog neste dia. Obviamente, não havia nem vídeo nem nada. Meu amigo foi o Wagner Dias do blog tupiniquim.

A coluna mais lida nos jornais é a do horóscopo. Segundo pesquisa do instituto Gallup, a crença na astrologia no mundo aumentou de 25% para 28% na última década. Tem gente que acredita piamente em horóscopo. Pessoalmente, acredito que quem acredita em horóscopo está apto a acreditar em qualquer coisa. Até que pode voar.

Infelizmente, a pesquisa do Gallup foi feita antes do rebaixamento de plutão, que agora perdeu status de planeta. Me pergunto sobre como ficaram as pessoas do signo de escorpião, que tem seu signo regido pelo ex-planeta. Me pergunto sobre como ficaram os mapas astrais. Os astrólogos farão recall deles?

Esses fenômenos não acontecem exclusivamente no Brasil, mas aqui temos uma inclinação um pouco maior para sermos vítimas destes tipos de situações. A falta de argumentação, de leitura, da busca pela informação nos torna um povo ingênuo e inconstante. Nossa notória incapacidade de criticar abre espaço para os gurus, as seitas e os Jim Jones. Não ligo que acreditem nessas coisas, mas que ao menos saibam porque estão acreditando.

Claro que não estamos limitados somente aos casos que destaquei. A medicina alternativa é outro belo exemplo. Todo dia aparece um método de cura alternativo que o paciente se submete sem sequer conhecer qual é a origem científica daquilo. Outros exemplos também podem ser destacados, como o do pobre coitado que se entrega a uma causa – ou crença – que ele aceita sem questionar suas reais intenções. Existem muito mais alegorias. Mas não vale a pena destacá-las. Não quero causar depressão em ninguém, muito menos falir negócios lucrativos.

Mas sobre política, eu sempre falo. E após as eleições de domingo, deu para perceber que ainda tem muito brasileiro capaz de por o pé na brasa.

Domingo, Outubro 01, 2006

O Escritório

Quinta-feira, Setembro 28, 2006

Momentos de Reflexão




Eu não queria dizer isso explicitamente, mas aí vai:
Depende de você, leitor desse blog meia boca, o futuro do país. Então se você faz parte da parcela cool e pseudo-revoltada que quer votar nulo se achando o Che Guevara brasileiro, não faça isso.

Se você quer mudar alguma coisa, vote CONTRA o Lula. Pode ser no Alckmin ( o único que tem reais chances de vencer), na H. Helena, no Critovam, no Bivar ou até no cara do PSTU. Escolha o seu preferido (ou o menos pior na sua opinião) e manda ver. Afinal, o mais importante é tirar essa corja do governo.

Mas se você quer dar uma de mané, então faça isso direito: vote no Lula e assuma responsabilidade disso. Votar nulo e depois ficar enchendo o saco é que não dá.

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

O presidente e a filosofia

Terça-feira, Setembro 26, 2006

O Escritório

Sobre vícios e blindagens


Sou viciado em refrigerante de cola. Conheço muitos que, assim como eu, também são. Volta e meia recebo algum e-mail confrontando o refrigerante de cola mais famoso do mundo: dizem que serve para desentupir pia, que corrói o organismo, que provoca doenças e etc. Nunca acreditei em nada disso. Para ser sincero, mesmo que acreditasse, procuraria me ludibriar de alguma maneira, tudo em prol do meu vício.

Tenho um vizinho que também sofre de algum tipo de dependência. Ele é torcedor do Clube de Regatas do Flamengo. Não há coisa mais detestável do que o futebol, mas o vocabulário, a vida e os valores de meu vizinho giram em torno do esporte bretão. O problema é que o tal do Flamengo praticamente todos os anos trava uma desonrosa luta contra o rebaixamento da primeira divisão do futebol brasileiro. Escapa sempre de maneira sofrida, mas o meu vizinho está lá, torcendo e venerando seu clube.

Tenho um amigo advogado socialista. Eu sei que é difícil de acreditar que exista, mas eu tenho um amigo advogado socialista. Ele defende a distribuição de terras, embora não queira dispor de nenhum de seus bens. Ele quer um salário mínimo de mil reais, embora continue querendo pagar mal sua doméstica. Ele quer igualdade para todos, mas não quer deixar sua casa de dois andares com dois carros na garagem. Por fim, nega qualquer teoria econômica em prol do romantismo marxista. Ser socialista assim é fácil, até eu posso ser. Assim como eu e meu vizinho, ele também sofre de algum tipo de dependência, que no seu caso é o socialismo-alucinógeno.

Mais dependências tapadas? Que tal a do diretor financeiro que, para cortar custos, põe sempre a culpa no cafezinho da empresa? Ou a do bipolar que cegamente segue todas as orientações de seu psicanalista? Ou as eternas convicções dos eleitores de Paulo Maluf? Ou a cisma do ex-técnico Zagallo com o número 13. Aliás, será que ele sempre vota no 13?

Depois de revelar tantos casos dramáticos, dá para entender a blindagem de Lula perante os brasileiros. Sua blindagem, assim como a do refrigerante de cola comigo, impede a massa ignara – e até a supostamente esclarecida - de relacionar o presidente com todas irregularidades e escândalos transcorridos neste governo. Todos preferem não admitir nenhuma das evidências, ou então, pateticamente, preferem atacar a “era FHC” para justificar o voto. O problema é que, assim como Lula, os eleitores acham melhor não saber de nada. A alegoria que se criou em torno da imagem do presidente deveria ser objeto de estudo de comunicólogos de todo o mundo. Da minha parte, darei o exemplo. Vou parar agora mesmo de tomar refrigerante de cola.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Setembro 25, 2006

O Escritório

Domingo, Setembro 24, 2006

O Escritório

Sábado, Setembro 23, 2006

O Escritório

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

O Escritório



Nova série, com uma proposta visual diferente. Digam o que acham, por mais que no fim eu nem ligue.

Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Momentos de Reflexão

Aproveitando o gancho do Scotton:

Das drogas ao FGTS

Nas duas últimas semanas acumulei muitos e-mails enviados por leitores do blog e do jornal. Tratarei agora de respondê-los. Leandro, diretamente de Fortaleza, pergunta qual a minha opinião sobre as drogas. Caro Leandro, sinceramente, acho que cada um deve se questionar se utiliza alguma. Minha droga, por exemplo, é a Coca-Cola. Bebo todos os dias. Tem gente que prefere os discos do Caetano Veloso. Por outro lado, tenho um primo que prefere o marxismo-alucinógeno ensinado em sua faculdade de história. E por aí vai. Qual a sua?

A leitora Ana me pergunta se faço idéia de qual é o custo da corrupção no Brasil. É incalculável, minha querida Ana. O tempo gasto com CPIs, dossiês e denúncias certamente é muito grande. Não sei mensurar qual fatia da hora técnica do salário de cada deputado e de seus assessores é destinada para isso. É claro que gostaria que gastassem o tempo destas discussões em resoluções de desenvolvimento sustentável, por exemplo. Mas como disse o presidente do Banco Mundial na semana passada, nossa corrupção é endêmica. Sendo assim, creio que o nosso custo com a corrupção só tende a aumentar.

De Juiz de Fora, o leitor Humberto me pergunta se o povo brasileiro vai dar bola para o caso da compra do dossiê. Para responder a pergunta, resolvi checar quais são as matérias jornalísticas mais lidas no site da Folha de São Paulo. Em primeiro e segundo lugares, matérias sobre um vídeo erótico da modelo Daniela Cicarelli com seu namorado, numa praia na Espanha. Em terceiro lugar, a notícia mais lida era sobre a participação de uma ex-integrante do Big Brother em uma novela. Somente em quarto lugar vi algo sobre o tal dossiê anti-tucanos. E quase passei direto. Valdebran parece nome de remédio, de cão, de tudo, menos de gente. Portanto, acho que ninguém vai dar bola para o caso, Humberto.

Patrícia, também de Juiz de Fora, comenta sobre o papa Bento XVI, que acaba de comprar uma imensa briga com o mundo islâmico. Na semana passada, ele insinuou que o mundo islâmico utiliza a violência para propagar sua fé. Ela me pergunta sobre as conseqüências desta declaração. Patrícia, Bento XVI falou alguma mentira? Claro que não. Mas os islâmicos discordam. Acham que a expansão de sua fé não tem nenhuma relação com a violência. Entretanto, por via das dúvidas, alguns fanáticos religiosos já prometeram ataques terroristas ao Vaticano. Se aqui no Brasil acabássemos com os “offs” e partíssemos para a sinceridade, como fez Bento XVI, certamente teríamos um país mais habitável.

Por fim, o leitor Rodrigo George se confunde e, pensando que sou corretor de valores, me indaga sobre qual o investimento mais seguro para se fazer no Brasil. Caro Rodrigo, não acho seguro fazer nenhum investimento no Brasil. Não sei qual é o melhor investimento, mas o pior certamente é ter filhos: é um grande investimento sem retorno. Creche, escola, roupas, mimos, games e nenhum dividendo sobre isso. Pior do que isso, só mesmo o rendimento do FGTS. Assim como a Coca-Cola é minha droga, o FGTS é a droga do contribuinte.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Setembro 20, 2006

Momentos de Reflexão

Domingo, Setembro 17, 2006

Cenas que gostaríamos de ver

Profissões Bizarras

Sábado, Setembro 16, 2006

Horário Político



Desculpem a sumida, alguém precisa trabalhar né?

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Momentos de Reflexão

Segunda-feira, Setembro 11, 2006

Democracia do Caetano

Acabo de ser convocado para ser mesário nas eleições. A convocação é obrigatória. Isso significa uma série de restrições quanto a manifestações políticas. Como mesário, sinto-me como uma espécie de coroinha de utilidade pública. Uma figura melancólica e esquecida durante as eleições, que não pode sequer manifestar opiniões. Como profissional do voto, apenas digito seu título, lhe encaminho para cabine de votação e demagogicamente recomendo-lhe um bom voto.

Tão ruim quanto ser mesário é ser obrigado a votar. De dois em dois anos, temos que escolher entre o péssimo e o terrível. Já que todo mundo fala tanto em democracia, que tal se democratizássemos também o direito de votar ou não? Assim evitaríamos o voto ruim, o voto de mau humor, o voto de protesto e outras espécies de voto de má qualidade, que aliás, predominam sempre no Brasil.

Continuando nossa odisséia pela exemplar democracia brasileira, qual o motivo do serviço militar obrigatório? Todo mundo já escutou aquela história de “um amigo do amigo do sargento quem me tirou do exército”. Seria muito mais simples deixar somente as pessoas interessadas se alistarem. E é claro, muito mais barato para o estado e consequentemente para o pobre do contribuinte.

E os impostos? É democrático o cidadão ser obrigado a utilizar o serviço de previdência social? Por mim, podem privatizar ou fazer qualquer outra coisa com isso. Eu opto por minha aposentadoria em um fundo privado e fim de papo. E se eu não quiser aposentadoria por meio algum, simplesmente procuro outra forma de investir meu dinheiro. Questão de escolha, ops, democracia.

Infelizmente ninguém vê o quão longe estamos de um regime genuinamente democrático. Somos obrigados a fazer um bocado de coisas, sempre em prol do estado. O mesmo estado que nunca, em toda sua história, reverteu algum ganho para o contribuinte. A não ser que o contribuinte tenha sido favorecido por um cabide de emprego público.

Já que acabo de provar por A mais B que não temos democracia alguma, sugiro que o governo proíba o Caetano Veloso de dar entrevistas. Além de pseudo-intelectual, chato e demagogo, ele sempre tenta fazer jabá para o governo e fala obsessivamente do “imperialismo americano”. Engraçado é que lá nos Estados Unidos o voto não é obrigatório. Lá, os impostos são revertidos para a população. Lá, o serviço militar não é obrigatório. Não sei qual a opinião de Caetano Veloso sobre as nossas leis caquéticas, mas para ele, anti-democrático mesmo é só o Bush.

Marcelo Scotton

Horário Político

Sábado, Setembro 09, 2006

Profissões Bizarras

Quarta-feira, Setembro 06, 2006

Momentos de Reflexão

Nos incomoda a França

Tenho alguns poucos amigos franceses. Eles reclamam que, após a Copa do Mundo da Alemanha, seu povo tem sido ostensivamente hostilizado pelos brasileiros. Para acabar com esta rusga mesquinha, lembro aos brasileiros que a França, apesar de colocar Zidane em seu caminho, há muito tempo atrás nos deu Lavoisier.

Antoine Lavoisier ficou mais conhecido como químico, mas também era cobrador de impostos. Mas não é na química, e sim na cobrança de impostos, que os brasileiros podem se orgulhar de Lavoisier. Certamente gostamos de pagar impostos. Se não gostássemos, não seríamos tão incentivadores dos concursos públicos e dos programas sociais, que são custeados com a arrecadação de impostos. Portanto, sejamos mais justos com os franceses.

A França, aliás, está longe de ser o calcanhar de Aquiles verde-amarelo. O problema crônico reside aqui, dentro de nós mesmos. Os brasileiros geralmente odeiam opiniões que os contrariem. Nosso povo, historicamente, não cultivou o hábito da discussão e da argumentação. A opção é sempre pelo conchavo, pelo adesismo. O fisiologismo político está aí para nos mostrar isso: temos apenas legendas partidárias, mas quase não temos ideais libertários, neoliberais, socialistas ou seja lá qual corrente for.

Na imprensa, geralmente quem discorda da unanimidade burra, é marginalizado por leitores e observatórios jornalísticos. Suprimimos cada vez mais os livres pensadores para fabricarmos um exército de jornalistas dotados de opiniões convencionais e comprometidas. Uma visão única na imprensa é tão sem graça quanto jogar ping pong sozinho. Ou dominó.

Nossa cultura sempre se baseou em música, dança e teatro. Somos péssimos com os números e tétricos nas discussões. A falta do hábito para o debate de idéias dentro de um mesmo universo resulta numa ditadura ideológica. Daí a explicação histórica para sermos tão ruins de voto: quem não discute, quem não critica e quem não argumenta, é facilmente tapeado por qualquer discurso vazio e de boa retórica. Diferentemente da França, terra das revoluções, com quem deveríamos ter aprendido um bocado e hoje hostilizamos por causa de futebol.

A França também nos deu Voltaire. Grande poeta e filósofo, ele é autor da célebre frase “não concordo com o que dizes, mas defendo até a morte o direito de o dizeres”. Um minuto! Os brasileiros são adesistas. Os brasileiros odeiam opiniões que os contrariem. Os brasileiros odeiam o debate, preferindo o conchavo. Voltemos a odiar os franceses.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Profissões Bizarras

Sintomas do Fim

O seu namoro/casamento está indo (ou foi) pro buraco quando:


- ela se arruma toda para sair, pergunta o que você achou da roupa e você responde: “tá linda” com um olho na TV e outro nela. Então ela diz “ Mas você nem viu direito...” , daí você volta os olhos para ela
( a mão ainda com o controle remoto) e piora a situação: “ Tá linda, meu amor, tá ótima. Você é a mulher mais linda do mundo”.

- as palavras “namoro” ou “casamento” começam a ser substituídas por “relação”: “precisamos repensar nossa relação...”, “pra nossa relação dá certo é preciso isso e aquilo...”

- no restaurante, pedem a entrada, saboreiam o prato principal, a sobremesa e o cafezinho. Tudo normal, se não tivesse durado “longuíssimos” 45 minutos.

- você pára de fingir que gosta de comédias românticas.

- ela pára de fingir que tolera futebol.

- o último filme que vocês viram juntos no cinema está sendo reprisado no SBT.

- você passa cada vez mais tempo na Internet. E fecha a página que está navegando sempre que ela se aproxima.

- ao responder à amiga como foi o final de semana, ela diz: “ Foi uma merda, fiquei em casa vendo filme, ele num quis sair.”, sendo que, nos bons tempos, ela costumava responder para a mesma situação: “ Foi ótimo, namorei bastante, vi quatro filmes, comi muito pão-de-queijo e pipoca”

- as posições durante o sexo, que antes eram 5 ou 6, agora são duas: uma pra ela atingir o orgasmo o mais rápido possível e outra idem para você. Necessariamente nesta ordem.

Bruno Fernandes

Domingo, Setembro 03, 2006

Momentos de Reflexão

Quinta-feira, Agosto 31, 2006

INvolução

Nossa periferia

Que beleza é ser pobre. Pelo menos é esta a impressão de quem assiste ao programa dominical de Regina Casé, no Fantástico, o chato de doer “Minha Periferia”. Nos últimos programas, além do já tradicional louvor à pobreza, a apresentadora mostrou como as pessoas da periferia tentam construir uma vida melhor. Música funk, pugilismo, escola de espetáculos, escola de dança, grupos de batuque foram algumas das principais iniciativas encontradas. Que maravilha é ser pobre. Com todo esse assistencialismo cultural, quem é que vai se importar em querer ganhar dinheiro?

Nos também globais Amigos da Escola e Criança Esperança o filme se repete: muita dança, muito swing, muita bola, muita arte e pouca leitura e ciência. Não sei onde vão empregar tantos artistas e atletas. Eu entendo perfeitamente que no Brasil quase todo mundo esteja disposto a rebolar em troca de algum tutu no final do dia. Entretanto, o excesso de oferta diminui a demanda. Deprecia a qualidade do produto.

Nos países de primeiro mundo, as camadas pobres, geralmente com acesso restrito a cultura e educação, absorvem das camadas mais ricas objetos de valor cultural, como aulas de língua estrangeira e literatura clássica. Também ganham bolsas de estudo em escolas de qualidade.

No Brasil, a fórmula é exatamente ao contrário: os pobres é quem exportam cultura para os ricos. Os ricos e a classe média estão cada vez mais dispostos a trocar Pink Floyd por MC Léozinho. Machado de Assis pelo Jornal O Dia. Antônio Ermírio de Moraes por Romário. Estudos por batucada. Discovery Channel por Minha Periferia.

Enquanto isso, a tecnologia e a intelectualidade brasileira ficam no ostracismo. A infra-estrutura de um país não se constrói com espetáculos de balé. A indústria não vai crescer com o investimento em teatro de rua. A agricultura não vai ganhar nada com a popularização do funk desbocado.

É melhor contribuirmos em algo para que a inversão de valores culturais e os maus exemplos não ganhem vigor. Caso contrário, nossos filhos vão querer ser DJ Marlboro ou Regina Casé quando crescer.

Marcelo Scotton

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Filmes que (não) gostaríamos de ver

Momentos de Reflexão

Segunda-feira, Agosto 28, 2006

Profissões Bizarras

Sábado, Agosto 26, 2006

Momentos de Reflexão

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

SP - Los Angeles brasileira

Quinta-feira, Agosto 24, 2006

Caneta para Manoel Carlos

Diversos leitores, através de e-mail, me pediram para fazer uma análise dos primeiros momentos do horário eleitoral gratuito. Tudo bem: em outra oportunidade, critico a novela “Páginas da Vida” (aquela escrita por Manoel Carlos, que mostra um Rio de Janeiro lindo e maravilhoso que não existe).

Começo pelo candidato Rui Pimenta, do PCO. Ele parece ser divertido. Entretanto, assim como os grandes meios de comunicação, pretendo ignorá-lo. Mais divertido do que ele é José Maria Eymael. Eymael é uma versão um pouco menos pitoresca de Anthony Garotinho. Além de soar demagogo, é o responsável pelas piadinhas dos debates. Como só fala subjetividades, procuro não me aprofundar muito em conhecê-lo. Só lembro dele quando me deparo com meu tio Totti, seu sósia.

Luciano Bivar sem dúvida é o melhor candidato. Além do Imposto único federal, falou em criar mini-quartéis em favelas de todo Brasil e em diminuição do estado. A melhor delas, no entanto, é a pena de morte para crimes hediondos. Para minha infelicidade, o pernambucano não passa de 1% das intenções de voto. E Pernambuco não é exatamente um celeiro de bons políticos, vide atual presidente.

Cristovam Buarque me dá medo. Ele me parece um pouco “afetado”. Sua bandeira é a educação, mas falhou nesta área quando ministro da Educação do governo Lula. Como exemplo, temos o famoso programa Brasil Alfabetizado, aquele que tinha uma propaganda chata na TV (“Pra aprender a ler, só não pode ficar parado...”), mas não tinha programa de alfabetização. Sobre Heloísa Helena, recorro à velha máxima dos biscoitos Tostines: quanto mais se conhece a candidata, menos se quer votar nela ou quanto menos se quer votar nela mais se conhece a candidata?

Na campanha de Geraldo Alckmin, quem vem roubando a cena é o jornalista Luiz González, seu estrategista. Gonzalez revela-se um “marqueteiro” (com aspas, pois abomino o termo) dos mais tímidos, para não dizer um dos mais bananas. Apesar de Lula, adversário de Alckmin, presidir um governo marcado por altos impostos, populismo demagogo na educação e nos investimentos de infra-estrutura, lambança na condução da política na América Latina, mensalão no congresso, corrupção jamais antes vista, desemprego, queda da renda e (ufa!) inchaço estatal recorde, até agora a única coisa que assistimos foi uma propaganda política de 10 minutos inteiramente “água com açúcar”. Até este colunista que vos escreve bateu mais em Lula do que González. Querendo me contratar, é só pagar bem. Do jeito que está, os alckmistas não vão chegar.

O programa de Lula é como a novela de que iria comentar, “Páginas da Vida”: um Brasil que não existe. Muita mentira sobre crescimento, sobre geração de emprego e renda, etc. A estratégia consiste em mostrar muita gente feia se dizendo feliz com o governo do mensalão. Só falta aparecer Marcos Valério no programa. Além de feio, com a grana que ganhou no governo petista, deve estar pra lá de feliz.

Por fim, o povo reflete nas pesquisas eleitorais a maravilha que é sua educação, moral, inteligência e consciência política. Pouco se pergunta sobre as picaretagens deslavadas que ouvem no horário político e principalmente sobre toda incompetência do governo atual. Pena que a história das eleições não é escrita por Manoel Carlos.

Marcelo Scotton

Horário Político

Quarta-feira, Agosto 23, 2006

Momentos de Reflexão

Terça-feira, Agosto 22, 2006

Momentos de Reflexão

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

Horário Político

Sábado, Agosto 19, 2006

INvolução


Para o Bruno, fã do Frota.

Sexta-feira, Agosto 18, 2006

Horário Político

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Nostalgia oitentista

Minha caixa de e-mails virou privada. Recebi um curioso e-mail outro dia, com o seguinte título: “Quantas saudades! Tempinho bom esse!”. O e-mail referia-se aos anos 80. Figuras como o palhaço Bozo, as bandas Blitz e Menudo, a bicicleta cecizinha, o refrigerante Grapette, os comediantes Trapalhões, a chuteira Ki-chute, o bonachão Fofão, entre outros, foram lembrados como ícones da nostalgia oitentista. Foram celebrados como protagonistas de uma “época de ouro”. No site de relacionamentos orkut, a comunidade “Anos 80” possui cerca de 160.000 membros, uma das maiores do site.

Comparando os anos 80 com os anos 2000, não nos restam dúvidas: ainda bem que o tempo passa rápido. O enfadonho Atari deu lugar ao infinitamente melhor Playstation II. Aquela chuteira vagabunda da Ki-chute foi suprimida por chuteiras de enorme qualidade de marcas internacionais de material esportivo. O Grapette foi substituído pelas Tubaínas, que apesar de serem tão ruins quanto o refresco de uva, ao menos são bem mais baratas. Na música, conseguimos nos livrar de porcarias de todos os tipos: Menudo, A-ha, Blitz, Legião Urbana, Roupa Nova, etc. Mas este não foi o principal ganho da música. Creio que tenha sido a abolição das calças de oncinha e dos ridículos cortes de cabelo. Sempre senti vergonha pelo Arnaldo Antunes.

A nostalgia oitentista é uma fuga barata para as pessoas, principalmente na faixa dos 25 a 30 anos, em face aos problemas de hoje. Elas tentam projetar a felicidade em uma época tosca, sem brilho e criatividade, onde a mulher era totalmente desrespeitada (e marginalizada no mercado de trabalho), o consumo de drogas popularizou-se entre os jovens, o cinema nacional era só “pornô chanchada”, e a ciência e tecnologia ainda carecia de muitos nos descobrimentos.

São aborrecidos esses chatos nostálgicos, com o perdão do pleonasmo. É no mínimo um desplante uma pessoa que hoje possui uma câmera digital e um Ipod afirmar que nos anos 80 “as coisas eram bem melhores”. A diferença de hoje para os anos 80, é que os chatos nostálgicos eram crianças, e não tinham preocupações cotidianas, como ter que pagar a conta de luz ou ter a árdua tarefa de escolher entre o PT e o PSDB nas eleições.

Falando nisso, a única coisa que não mudou de 80 para cá foi a política. Nos anos 80, agüentamos nomes como Figueiredo, Sarney, Ulisses Guimarães, o PDS e diversos. Hoje estamos aí, com Lula, Garotinho, PT, Heloísa Helena, entre outros. Nem nisso a política brasileira evolui. Ela está amarrada ideologicamente lá na década de 30, só que com os nomes dos anos 80. Aposto que Michael Sullivan e Paulo Massadas compõem todas as marchinhas presidenciais.

Marcelo Scotton

INvolução

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Horário Político

Segunda-feira, Agosto 14, 2006

SP - Los Angeles brasileira

Sábado, Agosto 12, 2006

INvolução

Sexta-feira, Agosto 11, 2006

Solucionadores e soluções

Todo dia aparece alguém na TV com a solução ideal para resolver os problemas do Brasil. Vejam Arnaldo Jabor. Todos os dias ele esperneia em um telejornal, atirando verdades contra tudo que está sendo feito. Reclama do governo e de Hugo Chávez, embora já tenha sido um esquerdista fervoroso. Hoje, é apenas uma figura caricata, um misto de rebeldia juvenil com palavreado de seu muso inspirador, Nélson Rodrigues.

Dentre os solucionadores, eu prefiro Olavo de Carvalho. Pessoalmente, chamo-o de “Olavão de Carvalho”. Ele afirma que estamos a beira do comunismo na América Latina. Já denunciou o Foro de São Paulo. Já denunciou a intenção de Hugo Chávez e Fidel Castro em criar a URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Já cometeu a ousadia de dizer que Bill Clinton era um agente de Pequim infiltrado em Washington. Apesar de nunca saber quando está falando sério ou não, é o meu predileto.

Eu também decidi me arriscar na tarefa de solucionar os problemas do Brasil. Ao longo das minhas colunas venho culpando os políticos. Estou errado. A culpa, é claro, é do povo. O povo é vergonhosamente ruim de voto. Nossa capacidade de votar é tão ruim quanto à capacidade da Islândia em promover um futebol de primeira linha.

Sugiro que o TRE faça uma prova de admissão eleitoral. Explico: quem quiser votar, terá que passar por um exame. Este exame conterá questões de política, economia, saúde, meio ambiente, educação e responsabilidade social. Quem tirar menos de 70%, não vota. Pensei até nas questões. Eis a primeira: O que acontece quando uma candidata promete baixar a taxa de juros de 16,5% para 4%, numa tacada só?”. As alternativas: a) O país quebra, os capitais externos fogem, a inflação arrebenta, a renda cai e o dólar sobe; b) O país vê o espetáculo do crescimento; c) O país verá melhores perspectivas para o Pan 2007; d) Nenhuma das alternativas anteriores.

Também elaboraria alguma pergunta sobre ética: “Se todos aliados do governo de um presidente, incluindo ministros e deputados de seu partido são acusados de corrupção, o presidente deve...”. Eis as alternativas: a) Afastar todos e puni-los se comprovarem as irregularidades; b) Dizer que não sabia de nada e defende-los; c) Renunciar ao cargo; d) Nenhuma das alternativas anteriores.

Quem erra uma questão dessas, decididamente não pode votar. Não há democracia que tolere tamanha inaptidão intelectual e desconhecimento de conceitos mínimos de economia e ética, só para exemplificar. Se a Vaca do time da Tabajara e o Jumento amarrado num toco da rodovia Fernão Dias não votam, por que quem não entende nada de propostas governistas e é diariamente enganado pode votar? Prova de admissão eleitoral já!

Marcelo Scotton

Quero meu indulto.

Domingo é dia dos pais. Como bom filho e, principalmente, por respeito e amor ao meu pai, irei visitá-lo. Pedi um dia de folga para o meu chefe, visando aproveitar melhor a viagem até Belo Horizonte. Ele não deu. Sugeri a ele descontar das minhas férias ou no próximo salário. Categoricamente, ele recusou minha proposta.

Pensei: “Que crime eu preciso cometer para poder ganhar um dia a mais de folga?”.

Neste final de semana, cerca de onze mil presos das cadeias do estado de São Paulo terão direito ao indulto, uma liberação temporária concedida em datas especiais. Caso seja beneficiado, o detento poderá sair amanhã, 12/08, a partir das 7h30 e retornar na segunda ou terça-feira até as 18h30.
Eu, no entanto, não posso “emendar”. Saio sexta depois do expediente e volto no domingo à noite.

Há cinco ocasiões de indultos para condenados. Eles podem sair na Páscoa, no Natal, no Dia das Mães e Dia dos Pais. A quinta data pode ser escolhida entre o Dia das Crianças ou o de Finados.

Ser um delinquente no Brasil é uma moleza. Aqui, bandido quase nunca é preso e, quando isto acontece, ele vai para a cadeia mas com direito a passar todos os feriados em família. Sem esquecer os celulares, drogas, prostitutas e TVs de 29”.

Segundo a lei, os casos de indulto são analisados individualmente, mas cá entre nós, alguém acredita que, com a super-lotação dos presídios e a patética administração carcerária, esta avaliação seja realmente minuciosa?

Se tomarmos por base o ano passado quando, também no dia dos pais, cerca de 7% dos presos não retornou da liberação, podemos estimar que, a partir de terça-feira teremos, só no estado São Paulo, mais 800 criminosos soltos, prontos para aterrorizar a população. Se a média se mantiver nas outras datas onde há o indulto, a justiça terá libertado, no ano, cerca de 4.000 marginais.

Só espero que nenhum deles tenha parentes em Belo Horizonte.

Bruno Fernandes

INvolução

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

SP - Los Angeles brasileira



Em busca do Brasil destro

O Brasil é um país manco. Não me refiro ao fato de ser moralmente desequilibrado. Isso todo mundo já sabe. O problema é que o Brasil segue uma corrente política única: esquerda, volver.

Imagino que ninguém tenha se atrevido alguma vez na vida a manifestar-se pela via de direita em qualquer ambiente que seja. Universidade então, nem pensar. É um ambiente doutrinador, politicamente pernóstico, formador de mentes uniformizadas e sem massa crítica. Quem tenta se manifestar por uma corrente que não seja a esquerdista é praticamente marginalizado.

Ser de direita é prezar pelo individualismo, pela liberdade econômica e social e ser conservador nos costumes e leis. Ser de esquerda é caracterizar-se pelo coletivismo, estatismo, anti-elitismo, populismo, nacionalismo, entre outros.

Resumindo: o Brasil não tem direita. Por outro lado, temos um caminhão de esquerda por onde passamos. Onde está a democracia? Até quando o país vai estar sob uma única ótica governista? De forma errônea, atribuem ao PSDB o rótulo de direitista. O PSDB nunca foi de direita. Talvez tenha sido mais esquerda do que o próprio PT em alguns momentos. O PSDB é um partido social-democrata, movimento esquerdista que dominou (e não deu certo) a Escandinávia nos últimos anos. Parafraseando o filósofo Olavo de Carvalho, o PSDB “é a direita da esquerda”.

Afinal, qual o problema do domínio esquerdista em nossa mídia e em nosso conteúdo político? Simples: anti-democracia, empulhação e fracasso pelos países que passaram. George Orwell nos mostrou, através do livro 1984 como os sistemas totalitários de esquerda manipulam as informações e dominam a sociedade. Na prática, a humanidade pôde presenciar genocidas de esquerda como Stálin, Mao Tse-Tung e Fidel no poder. No campo econômico, a política de esquerda se mostrou ineficaz na grande maioria dos países por onde passou. Atualmente, vigoram em sua maioria em países de terceiro mundo, como o Brasil e seus vizinhos da América Latina, cada vez mais soterrados na pobreza, ignorância e na dependência do estado.

Em termos de discurso todos estão certos. Tem gente que promete trazer o mar para Minas Gerais, casa e comida para todos, saúde e lazer para toda família. Em termos de ciências econômicas e resultados sociais, a direita mostrou-se mais eficaz. O brasileiro erra demais nas urnas. Elege sempre péssimas opções políticas. É hora de pararmos de chutar com a canhotinha.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

SP - Los Angeles brasileira

Terça-feira, Agosto 08, 2006

SP - Los Angeles brasileira



Segunda-feira, Agosto 07, 2006

SP - Los Angeles brasileira


Domingo, Agosto 06, 2006

As Aventuras de Mula

Quinta-feira, Agosto 03, 2006

O Acre, judaísmo e populismo

Nosso presidente se supera mais uma vez. Agora, num movimento para tomar a dianteira no comando do planeta, o Conhaque Presidente quer resolver a guerra milenar na faixa de Gaza.

Depois de “consultar” seus ministros, o General Dirceu e pedir pro Lulinha ver no Google Earth como era mesmo o Acre, Lula decidiu tomar uma medida sem precedentes. Vai doar todo o estado para os judeus. Assim a guerra pela sagrada Israel finalmente acaba, com terra para todo mundo.

Evil Morales ameaçou estatizar o Acre e tomar todos os bens dos judeus, enquanto o MST protestou quebrando todo o palácio do planalto e como prêmio nosso governo já depositou mais alguns milhões nas contas da organização.

A oposição e imprensa também fizeram alvoroço e querem barrar mais essa loucura, mas Lula se defendeu dizendo que temos que ajudar os países mais pobres (certeza que ele mora no Brasil?) e que não vamos perder nada, porque compramos o Acre da Bolívia por um cavalo já faz um tempo.

Pois é. Quem não tem cavalo, caça com Mula.


Barbz Nardini

Quarta-feira, Agosto 02, 2006

Mulher de Alma Masculina-2

Caros leitores do blog, segue a segunda parte da entrevista com a mulher de alma masculina.
Para quem não leu a primeira parte, a mesma está nos arquivos do Esparro.


O Esparro: Você me parece ser uma mulher muito segura, autoconfiante até demais. É assim mesmo?

Mulher de alma masculina: Eu diria que sou inconstante. No momento estou me sentindo bem e segura. Mas tenho fases onde estou carente, sensível e vulnerável.

O Esparro: E como você age quando está assim? Como você fica com seu namorado?

Mulher de alma masculina: Quando me sinto assim, acho que o melhor remédio é uma boa conversa. Nada de ficar fazendo biquinhos ou implorando carinho e atenção. Isso tem que vir naturalmente. Pense comigo, ninguém suporta uma mulher que fica o tempo todo se mostrando uma fragilzinha, tipo cachorro sem dono, isso é um saco. É como disse antes, homens não foram feitos pra suportar carências e melindres. Acho que um bate-papo honesto é a solução. Por isso eu insisto tanto na história da amizade.

O Esparro: Vamos falar sobre sexo?

Mulher de alma masculina: Claro, já estava esperando...

O Esparro: Você se considera uma mulher sexualmente resolvida?

Mulher de alma masculina: Sim, completamente. Minha sexualidade nunca foi motivo de problemas, somente prazer. Sou uma mulher curiosa, tenho a mente aberta e já experimentei muita coisa nesta vida.

O Esparro: Que tipo de coisa?

Mulher de alma masculina: Não vou entrar em detalhes, mas posso dizer que foram várias experiências, muitas delas boas, algumas excelentes, outras nem tanto.


O Esparro: Tem alguma da qual você se arrependa?

Mulher de alma masculina: Não me arrependo de nada. Algumas eu não faria de novo porque não foram como eu imaginava, ou quem estava junto não correspondeu. Das fantasias em si não me arrependo de nenhuma. Me arrependo, talvez, de ter me entregado, em algumas oportunidades, às pessoas erradas. Mas não fico me lamentando. Se eu fiz, eu quis e pronto.


O Esparro: Transaria com outra mulher?

Mulher de alma masculina: Claro, até com mais de uma ao mesmo tempo. Se sentir vontade, por que não? Mas se isso é o que você tem como grande fantasia, acho que você está um pouco careta (risos).

O Esparro: É a favor do sexo casual, sem sentimento?

Mulher de alma masculina: Claro, sou sempre a favor do sexo (risos), casual ou não. Muitas vezes me entrego somente por tesão, mas assim que acaba viro pro lado e durmo. Às vezes, não aguento nem olhar pra cara da pessoa depois. Daí eu entendo porque os homens agem assim em algumas oportunidades. Mas prefiro fazer com quem eu gosto. Sexo é muito bom... mas com quem a gente gosta fica perfeito, intimidade é tudo.

O Esparro
: Acredita em fidelidade?

Mulher de alma masculina: Não sei se acredito em fidelidade... acredito que você tem que ser fiel ao sentimento e não a rótulos. Se você gosta e respeita uma pessoa você será fiel a ela naturalmente, não importa o nome da relação, se é namoro, casamento... quem gosta e respeita é fiel.

O Esparro: Para encerrar, qual a sua mensagem para as mulheres?

Mulher de alma masculina: Não tenho autoridade para falar sobre a vida de ninguém. O que eu posso dizer é que, na minha opinião, não existe homem perfeito, príncipe encantado ou a “pessoa certa”. Eu penso que, quando a mulher estabelece um padrão para aquele cara que ela considera ser o “dos seus sonhos”, ela só aumenta a pressão sobre os homens e sobre ela mesma. A vida não é um comercial de margarina, homens são de carne e osso e falham, assim como nós. Acredito na amizade, na troca de idéias, na sinceridade e no respeito mútuo. Nunca deposite sua a felicidade nas mãos de outra pessoa, goste sempre de você, mais do que do outro.

O Esparro: Muito obrigado pela entrevista

Mulher de alma masculina:Eu que agradeço, foi um prazer.


Bruno Fernandes

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Cada qual com seu Duda

Trabalho com marketing. Outro dia fui chamado de Duda Mendonça. Me senti humilhado. O termo designado para minha profissão foi completamente prostituído. Não tenho nada haver com Duda Mendonça, e acredito que meus colegas de profissão também não. Agora entendo a revolta de um amigo, que trabalha numa agência de propaganda, quando escutou Marcos Valério ser chamado de publicitário.

O termo marketing ou marqueteiro ganhou conotação de enganação ou trapaça. Melhor ser chamado de administrador mercadológico. Outro dia, Lula, durante a inauguração de uma obra eleitoreira no Espírito Santo, com o intuito de fazer média com a população local, falou de especiarias locais, como a moqueca, ao invés de anunciar ações de desenvolvimento econômico, por exemplo. O presidente com nome de molusco bradou: “Moqueca é a capixaba, o resto é peixada”. Disseram que foi uma jogada de marketing. Mentira. Isso não é jogada marketing. É só empombação e populismo mesmo.

Outro aspecto negativo de trabalhar com marketing no Brasil, é que ninguém valoriza idéias por aqui. Os profissionais da idéia são facilmente substituídos por fanfarrões ou excêntricos. Sem contar que, se já não temos senso de propriedade privada, o que dizer então de propriedade intelectual. Uma idéia será sempre quantificada para baixo. Um grande engenho tecnológico ou uma grande sacada mercadológica vem sempre com uma etiqueta injustamente avaliada, valendo até oitenta por cento a menos do que realmente deveria valer. É o preço que a idéia paga por ser intangível.

O leitor mais preocupado com minha felicidade profissional pode estar a perguntar: por que você não muda de profissão? Eu respondo, com dois simples motivos: primeiro, porque é o que sei fazer e muito bem, modéstia à parte. Segundo, porque toda profissão tem seu Duda Mendonça. Não há como escapar. Vejam os músicos, com Branco Mello, dos Titãs, a figura mais desnecessária da história do rock, contido nesta classe musical. Ou então os apresentadores de TV, com Ratinho e Flávio Cavalcante. Os médicos têm Eugênio Chipkevitch, o pediatra pedófilo, como péssima referência. Os policiais tem a má referência de “Rambo”, um homem da lei que atirou em um coitado após liberá-lo, em Diadema, alguns anos atrás.

Entretanto, de todas as classes, a que mais causa-me solidariedade, é a dos políticos. Cito Lula, e apenas Lula. Se fosse citar o que gostaria de citar, qualquer espaço que me fosse concedido seria insuficiente. É onde existe mais Duda Mendonça.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Julho 26, 2006

Lula na 3a. temporada de Lost

Depois do galã tupiniquim Rodrigo Santoro, é a vez de nosso presidente calango ser cotado para integrar o elenco de Lost. Os produtores da série se dizem espantados com as semelhanças entre a realidade do presidente e o seriado, e dizem que se Lula quiser trabalhar pra variar, seu papel está garantido. Veja algumas das semelhanças apontadas:

- Assim como os personagens de Lost, Lula vive num mundinho de faz-de-conta, onde as regras que valem no mundo real não se aplicam quando menos se espera.
- O Presidente está em seu posto há um tempo considerável mas ainda não sabe nada sobre o lugar onde se encontra, já se acostumou e não quer mais ir embora.
- Lula vive com medo dos "Outros", mas quando descobriu um traidor entre seus melhores amigos (como Jack seguindo Michael no seriado) ficou de boca fechada e foi com eles até o fim.
- Igual ao personagem de Mr. Ecko, Lula acredita que o que está fazendo é de extrema importância, quando na verdade tudo o que ele fez não mudou porra nenhuma.
- O presidente vive em um eterno flashback, reclamando de FHC ou fazendo questão de relembrar sua distante (e bota distante nisso) infância humilde, ao invés de fazer algo concreto.
- Como na ilha, Lula tenta fazer dos números do seu governo o que eles não são, enquanto a maioria das pessoas vive em cabanas esperando comida cair do céu. ( no caso de Lost, ao menos a comida cai mesmo.)
Os produtores afirmam ainda que se o presidente topar a oferta, pagam seu cachê em uma off-shore e deixam ele inaugurar uma escotilha ou outra de vez em quando, mesmo que ela tenha sido feita antes da chegada dele na ilha, ou esteja caindo aos pedaços.
Agora é esperar e torcer.
Barbz Nardini

Segunda-feira, Julho 24, 2006

Cotas populistas

O melhor jogador de golfe da atualidade se chama Tiger Woods. Ele é negro. O melhor piloto de motos da atualidade se chama Valentino Rossi. Ele é branco. O melhor jogador de tênis de mesa do mundo eu não sei o nome, mas com certeza é asiático. Durante minha vida, trabalhei com todo tipo de pessoa nas instituições pelas quais passei: negros, brancos, mulatos, asiáticos, índios e etc. Uns são melhores que os outros, indistintamente. Um departamento de marketing pode ter seu Tiger Woods, assim como uma área de logística pode ter seu Valentino Rossi. Nunca percebi a competência pela cor, e sim pelo conhecimento, caráter e vontade de trabalhar. É como a própria constituição federal estabelece: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

O atual governo parece ter uma idéia contrária. Jogando o cérebro de cada ser humano e o próprio artigo 5º da Carta Magna no lixo, ele quer passar a classificar as pessoas pela raça, através das cotas em universidades públicas. Como se o problema não estivesse lá atrás, na educação de base, que não oferece subsídios para que pessoas de baixa renda ou de determinada raça tenham ensino e conhecimento adequado para concorrer para qualquer vestibular do país em paridade de condições com qualquer outro ser humano.

Já o senador petista Paulo Paim quer ir mais além: ele pretende que a identificação racial esteja contida nos documentos de identidade do cidadão. É isso mesmo que você leu: classificação por raça na RG. Ele também pretende suprimir o contingente de mulatos do país, hoje representado por quase 40% da população, passando a classificá-los como negros, que representam algo próximo de 5%. Isso tudo documentado. Temo que Paim lute pelos assentos preferenciais para pessoas de raças diferentes nos ônibus urbanos. Ou que pense em utilizar a arroba bovina para demarcar pessoas de outras raças.

Claro que isso tudo é demagogia. Claro que isso só vai estimular ainda mais o racismo no país. Nem negros, nem ninguém de outra raça precisa ser tratado de maneira diferenciada para conseguir seu progresso social. O que todos precisam é de condições econômicas e sociais para atingir este progresso, aspectos nos quais o governo deve a juros altos para toda população. Colocar pessoas de determinada raça nas universidades é uma medida burra. O problema, como dito anteriormente, está na educação de base, que mais parece “A casa” de Vinícius de Moraes e Toquinho: não tem teto, não tem nada.

É hora de acabar com essa classificação racial. Somos todos seres humanos que raciocinam e tem as mesmas faculdades mentais, e que são iguais perante a lei. É hora de todas as raças terem respeito mútuo, sem medidas populistas que só estimulam o racismo. É hora de refletir sobre esta questão. É hora de Paulo Paim caçar alguma coisa que preste pra pensar e pra fazer.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Julho 19, 2006

Virgem?

Depois de ver esse video, cheguei a conclusão de que ele só pode ser virgem. Não tem como se dedicar tanto a duas coisas tão distintas.

Terça-feira, Julho 18, 2006

Caco Antibes no poder

Precisamos de um Caco Antibes no poder. Caco Antibes era um personagem humorístico que participava de um programa dominical na TV Globo, e que tinha como um de seus principais bordões o chocante “Eu tenho horror a pobres!”. Cômico, todo político é, principalmente em campanha eleitoral. O problema é outro, é o contrário do pensamento cacoantibeano: os políticos adoram os pobres. Tanto adoram, que estão recrutando, na marra, novos pobres para as estatísticas sociais do país, todos oriundos da classe média, achatada com o aumento do custo de vida e impostos.

Se não existissem os pobres, para quem iríamos prometer uma vida melhor, sem fome e sem miséria? Se não existissem os pobres, para quem iríamos barganhar dois latões de cimento em troca do voto da família inteira?

Então é bom que eles aumentem e se proliferem. Para quem gosta de pobre, a pior medida política do país seria o controle da taxa de natalidade. Quanto mais boca para comer, mais valorizado fica o voto. É mais gente para prometer 10 milhões de empregos e não gerar nem 5% disto. Mais gente para sonhar com o fardamento esportivo vendido pelos atletas da seleção e com roupas de grife. Sem controle de natalidade, sem aumento de renda, sem emprego, sem nike e tudo fica bem.

Numa linda embalagem, com sotaque regional e calça jeans surrada, são vendidos os discursos de “justiça social”, “igualdade” e etc. E em todas as eleições, os mesmos discursos e os mesmos candidatos, enganam os mesmos ingênuos. Os mesmos otários. A educação para o pobre jamais melhora. Formamos indivíduos sem um pingo de pensamento crítico para constituir nossa sociedade. A maioria só sabe enxergar a diferença da camisa do Flamengo para a camisa do Vasco.

Quando falei entre amigos que uma pessoa como Caco Antibes deveria assumir um alto cargo no poder, seja na presidência ou em um ministério, muitos protestaram, devido a outras características do personagem: “ele é oportunista”, “ele é vil”, “não passa de um larápio”, “ele representa a escória da nossa sociedade”. Até Miguel Falabella, ator que representava o personagem, em uma entrevista, chamou-o de burguês decadente e psicótico. Pois bem. A única diferença, que é uma vantagem, é que Caco não gosta de pobre. Se fizesse no poder o contrário de quem gosta de pobre faz, não teria dúvidas: votava Caco Antibes.

Quarta-feira, Julho 12, 2006

Mulheres de alma masculina.

Imagine um mundo sem a milenar guerra dos sexos. Um mundo livre dos textos de Fernanda Young, Revista Capricho ou o sertanejo-corno de Zezé di Camargo. Sonhe viver numa casa onde os atritos são resolvidos com pequenas conversas e não há briga pelo controle remoto. Imagine uma mulher que saiba exatamente o que se passa na cabeça do seu homem. E vice-versa. Pois isso pode estar próximo de acontecer.

Um pesquisador da Universidade de Memphis, que preferiu o anonimato, cansado da mesmice e problemas dos relacionamentos convencionais, passou anos procurando a mulher que todo homem deseja: a mulher de alma masculina. Num acaso do destino, ele encontrou o que acredita ser o mais puro exemplar da espécie. O Esparro conseguiu uma exclusiva com a mulher de alma masculina. Seguem abaixo os trechos mais interessantes da primeira parte da entrevista.

O Esparro: qual era a sua situação amorosa antes de ser descoberta?

Mulher de alma masculina: Depois de alguns relacionamentos que só me encheram o saco, resolvi, pela milésima vez, ficar sozinha. Estava meio desacreditada de relacionamentos. Saco cheio de alguém pegando no meu pé, tirando minha liberdade. Como sempre gostei da noite e da vida com os amigos, achei melhor ficar sozinha. Estava feliz e solteira, como tem que ser.

O Esparro: Mas agora você não está mais sozinha? Está feliz?

Mulher de alma masculina: Claro, muito. Adoro me apaixonar.

O Esparro: Mas você não disse que o bom é estar sozinha?

Mulher de alma masculina: Sim, disse. Mas estar com alguém também é bom. Na verdade eu gosto das duas coisas. De uma hora pra outra, posso largar tudo e mudar de vida.

O Esparro: Como você é no dia-a-dia do seu relacionamento?

Mulher de alma masculina: Odeio que fiquem no meu pé, que me liguem o dia inteiro. Não gosto de telefone e não acho, por exemplo, que você tem falar todo dia com seu namorado, odeio cobranças e rotina. Todas as atitudes têm que ser espontâneas. Não sou do tipo que fala: “Nossa, nem me ligou hoje.” Tenho pânico desse tipo de coisa. Se a pessoa não ligou, ela teve seus motivos, ou estava pensando em outras coisas, o que é normal. Todo mundo tem o direito de esquecer, de “viajar”. Claro que tudo tem um limite. Se o outro some, algo está errado. Mas, na maioria dos casos, esse tipo de cobrança é fruto da insegurança e de certas “regras” que a sociedade estabelece.

O Esparro: Explique melhor...

Mulher de alma masculina: Antes de tudo, você tem que ser amigo do seu namorado ou marido. Homens não vieram ao mundo pra servir às mulheres ou vice-versa. É engraçado como muitos relacionamentos começam na amizade, mas depois que são rotulados de “namoro” tudo muda. As pessoas esquecem a amizade e passam a se ligar nos compromissos, regras e obrigações. Deixam de ser amigos para serem namorados. Lógico que alguma coisa muda, mas muitas não precisam ser tão diferentes.

O Esparro: Como você se descreve, quais são as coisas que você gosta?

Mulher de alma masculina: Não sou um bibelô. Gosto de futebol, falar de sexo abertamente, sentar no boteco, beber e falar bobagem. Passo horas bebendo com amigos, muitos deles homens. Prefiro gastar a tarde toda assistindo homens jogarem vídeo-game do que ir ao shopping center. Odeio shopping center. Mas isso não quer dizer que não goste de romantismo, de um bom jantar, um vinho e tal. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Me cuido muito, sou muito vaidosa, vou à academia, cuido das unhas, cabelo e tal...

O Esparro: Onde você acha que as mulheres pecam nas relações?

Mulher de alma masculina: De um modo geral, acho que o maior erro está nessa coisa quase inata de ter que encontrar “a pessoa certa”. A maioria das mulheres, quando está apaixonada, cai no grande erro de achar que “agora vai”. Isso é pedir pra sofrer. Com o tempo elas descobrem que o cara não é aquilo que imaginavam e tentam, a todo custo, mudar a pessoa. Não existe o homem certo. Existe alguém com quem você terá maior facilidade de convivência, cujos defeitos você é capaz de suportar. Trocar de homem é trocar de defeito. Homens são imprevisíveis e prezam a liberdade. Não adianta querer mudar isso, nem tentar entendê-los. É melhor pensar como eles. Exemplificando, se ele está bebendo com os amigos e você liga pra perguntar qual a melhor cor pra pintar a parede, você está pedindo pra arrumar confusão. Ele vai te atender cinicamente, sem paciência e, na minha opinião, estará correto agindo desta forma. Mas as mulheres acham que, devido ao compromisso, o cara tem a obrigação de atender pacientemente, ser amável e gentil, mesmo que seja pra tratar de um assunto fútil e chato.

Atenção, na próxima parte da entrevista, a mulher de alma masculina fala mais sobre outros assuntos, inclusive sexo.

Bruno Fernandes

Terça-feira, Julho 11, 2006

República dos Bananas

Os Rolling Stones vieram ao Brasil. Milhões de fãs inundaram a praia de Copacabana para ver o grupo inglês. Ver sim, escutar não, porque brasileiro não entende nenhuma palavra em inglês. Yes e You, no máximo. O show foi viabilizado pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Ela gastou cerca de R$ 1,7 milhões com o espetáculo. Foram 15 mil policiais disponibilizados para o evento. Quando é que a Prefeitura do Rio disponibilizou esta quantidade de policiais para salvar uma vida?

A Prefeitura, na figura de governo, é como qualquer empresa. O contribuinte carioca é o seu principal cliente. Como não conseguiu prover uma segurança pública adequada, um sistema de saúde de qualidade e uma rede de ensino municipal minimamente competente, a Prefeitura do Rio resolveu diversificar sua linha de produtos: agora atua na área de eventos. Certamente o carioca ganhou muito com isso. Só resta saber como estão as políticas para contenção da criminalidade por lá. Essa eu sei que o Mick Jagger não resolve. Também, ele não tem culpa de nada. Só veio aqui ganhar honestamente seu dinheirinho.

O governo Lula também resolveu diversificar sua linha de produtos. Não falo do demagógico reparo das estradas em pleno ano eleitoral. Muito menos da representação comercial que o presidente faz em nulidades econômicas africanas sob o pretexto da abertura de novos mercados. Embora, é claro, eu tenha a maior curiosidade em saber o que a Serra Leoa compra a mais do que a Grécia. Falo dos altíssimos gastos em publicidade. Só em 2005, foram quase 400 milhões com propaganda. Já as empresas estatais, como a Petrobrás, patrocinam de tudo. De porcarias como a Revista do MST à camisa do Flamengo. A estratégia é a seguinte: ao invés de empregar a verba do contribuinte para resolver alguma coisa, ela será gasta para dizer ao contribuinte que a coisa vai melhorar. Entenderam? Somos a república dos bananas. Vou desenhar: somos um bando de bananas.

Mas o povo brasileiro está preocupado com isso? Que nada. É ano de Stones, de Copa do Mundo. Deixa esse negócio de segurança pública e educação para depois. Daqui uns 10 anos ou mais a gente resolve. Ou então quando o energúmeno levar um tiro na cabeça ou ficar desempregado por falta de qualificação, aí sim ele embranquece os cabelos com isso. Agora, não. Agora é hora dos Stones. Start me up!

Outro dia, um pesquisador de um famoso instituto de opinião perguntou-me qual era a minha avaliação sobre o atual governo Lula. Neste caso, preferi responder em inglês: i can get no satisfaction.

Marcelo Scotton


Os Tops do Bananal

Odeio andar de ônibus urbano. Não é uma afirmação elitista. Digo isso porque realmente é uma experiência extremamente desagradável andar de ônibus urbano. Os corrimões são mais sujos do que a mais imunda nota de um real. Há risco do coletivo estar superlotado, o que torna a viagem ainda mais traumática. São esbarrões, encontrões e afins. Entretanto, o pior do ônibus é a feira-livre de bobagens que se escuta. Ouve-se de tudo: “Lula não sabe do esquema de corrupção no congresso”; “Eu acredito no nosso país”; “É verde e amarelo, minha gente!”.

Andei de ônibus esta semana. Meu carro estava sob revisão. Entre várias barbáries, a maior de todas que escutei foi sobre o gosto do brasileiro. Alguém disse que “temos a melhor música do mundo”. Outro passageiro foi além: disse que “temos um gosto cultural apurado”.

Resolvi checar essas informações. Entrei em um site especializado em relacionar quais livros, CDs e DVDs são os mais vendidos da atualidade no país e, de quebra, compara seus respectivos preços. O resultado foi surpreendente.

O DVD mais vendido é o da Banda Calypso. Nunca tinha ouvido falar. Nunca havia escutado. Pela capa, continuava não querendo escutar. Uma mulher loura (provavelmente falsa), feia, em trajes insinuantes, suada, com um microfone na boca ladeando um baixinho com cabeça chata. Procurei saber algo sobre a tal banda Calypso. Em seu repertório, trazem sucessos como “Como uma virgem” (pejorativo?), “Lombada complicada” e “Amor de rapariga”, dentre outros. Fui adiante, e fiz download das três músicas acima citadas. Logo após escuta-las, fiz um minuto de silêncio em homenagem à morte da música. Achei melhor checar os CDs mais vendidos.

Nos CDs, nova decepção: só dá novela nas paradas. É CD da novela “América” em primeiro e “Malhação” em segundo. O brasileiro é dependente visual de novelas. Não satisfeito, ele leva as novelas até seu CD player. Menos satisfeito ainda, o brasileiro elegeu Lula, inspirado no personagem da novela “O Salvador da pátria”, Sassá Mutema, interpretado por Lima Duarte. É uma inexplicável tara por novelas. Espero que não identifiquem um potencial candidato inspirado no carismático Bino, de “Carga Pesada”, na votação para presidente nas próximas eleições.

Resolvi, por fim, checar a listagem dos livros. Só perfumaria. O livro mais consumido pelos brasileiros é “Harry Potter e o enigma do príncipe”. Limitado ao entretenimento, o livro não nos permite nenhum ganho cultural relevante. Mais brasileiro do que isso, só a “Lei de Gérson”.

De toda esta discussão, infelizmente consegui retirar apenas um ensinamento: no Brasil, bom mesmo é nunca ficar sem carro.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Muito antes de Henry

Fim de jogo. O Brasil perdeu a Copa. Ainda bem. Junto com o insucesso brasileiro na tétrica apresentação contra o escrete francês, perderam os patriotas da Copa. Patriotas da Copa são aqueles sujeitos que só vibram com o país nestes momentos de pouca ou nenhuma relevância, como o futebol ou, no caso dos Patriotas das Olimpíadas, com os pulos da Daiane dos Santos. No resto do ano, contribuem singelamente com a perpetuação da ignorância e atraso da nação, consumindo música de baixo nível, votando em políticos populistas e oportunistas e sendo permissivo e muitas vezes até participativo em toda espécie de falcatrua e malandragem. Temos que nos esforçar no que importa, sobretudo na ciência, no desenvolvimento econômico e na constituição de uma sociedade moralmente melhor do que a que aí está.

A Copa do Mundo me enojou. Não só pela grande quantidade de partidas sem-vergonha que assisti, mas também por outros motivos. Como exemplo, fui marginalizado em uma padaria por comprar um refrigerante diferente da marca que patrocinava a seleção canarinho. Fui incomodado, em meus momentos de leitura e repouso, com cornetas irritantes. Recebi diversos telefonemas de brasilóides (mistura de brasileiro ufanista com?) com o único intuito de me confrontar, após vitórias contra as “temidas” Croácia, Austrália, Japão e Gana. Como se alguém, que não fosse os milionários atletas, ganhasse algo com isso. Eu ri por último, e para satisfazer o ditado, ri muito melhor.

A ilusão da Copa acabou. A ilusão de que, em alguma modalidade, mesmo que seja esportiva, o Brasil produz algo de ponta. Não produz. Nem no futebol. Até o brucutu italiano Gennaro Gattuso foi melhor que Ronaldinho, outrora badalado. Devemos voltar nossa atenção para a nossa realidade, que são os programas de Regina Casé e de Fausto Silva, de crescimento menor do que da Nicarágua, propaganda governista enganosa, serviço público de péssima qualidade e aquela ladainha toda que a gente sabe que existe e ainda assim convive bem e, ao contrário da Copa do Mundo, não nos movimentamos nem um pouco para tentar mudar.

CPI dos Bingos. Dos Correios. Das sanguessugas. “Mensalão”. Lula. Nacionalização do gasoduto boliviano e a palerma reação do estado brasileiro. Crise no campo. Quebra-quebra do MST. Pizza no congresso. São Paulo sitiada por uma organização criminosa. Exército nas favelas. Sistema único de saúde deplorável. Combustível caro. O que os brasileiros não perceberam, é que já haviam perdido muito antes do gol do Henry.

Marcelo Scotton

Segunda-feira, Julho 03, 2006

Bandeiras na janela

Todos tiram as bandeiras da janela e guardam a camisa do Brasil. O sonho das seis estrelas acabou, então acaba o patriotismo. Chega de gritar Brasil, vestir-se com as cores da pátria, chega de querer que os representantes dos 180 milhões (e crescendo) em ação, façam o melhor.

Que tal se ao invés de trancarmos a parafernália nacionalista no armário e esperar até 2010 por mais um circo futebolístico, deixarmos elas e o "espírito brasileiro" que tanto falam aqui? Que tal usar o mesmo critério meticuloso (que usamos para ver se o Ronaldo está gordo) nos nossos políticos? Que tal pedir para que os candidatos "joguem bonito", mostrem resultados concretos e levem nosso país até o lugar onde ficam os melhores? Isso sim eu queria ver. A cada descoberta de corrupção, as pessoas que estavam no Anhangabau ou em qualquer lugar ir reclamar por terem tirado o que é seu.
Queria ver pessoas indo até o aeroporto atrás dos deputados, dos presidentes, senadores, e exigir que aquele que está fazendo merda saia, e entre um que possa fazer melhor. Queria que todo mundo usasse a mesma energia que dispensa à seleção para o que realmente pode fazer a diferença. Será que o técnico burro é mais importante que o presidente corrupto? Será que os jogadores "velhos" são mais importantes do que os deputados com mala de dinheiro?
Pena que ninguém acorda. Ao invés de percebemos o que importa, trocamos uma ilusão vazia por outra. Ao invés de reconhecermos a derrota, viramos todos portugueses. É o que dizem, o show tem que continuar.
Barbz Nardini

Terça-feira, Junho 27, 2006

Brasileiros que não desistem nunca!

Preaparei uma lista de "Brasileiros que não desistem nunca"
Por favor, colaborem.

Hors concours: Rubinho Barrichelo

1- Jairzinho, o do Balão - não vejo o CD nem nas prateleiras de R$ 9,99.

2- Romário e seus mil gols - tá mais fácil chegar aos mil filhos.

3- Marcos Mion - maldita MTV!

4- Paulo Ricardo - Comeu a Vendramini e só.

5- Eduardo Suplicy - ele acha que o Brasil tem jeito.

6- Supla - ele acha que leva jeito.

7- Xuxa e seu príncipe encantado - nem revista de fofoca toca mais no assunto.

8- Carlinhos Brown - sem comentários.

9- Simony - outra que sofre da "Maldição do Balão". Mas de gravidez em gravidez ela chega lá.


Bruno Fernandes

Os novos otários

Burro quando é burro quer capim, mesmo ruim. Acompanho, divertido, o crescimento da candidata à presidência da república, Heloísa Helena, do PSOL, nas pesquisas eleitorais. Um amigo diz que os velhos eleitores otários votaram e ainda votam em Lula. Já os novos otários elegeram Heloísa Helena como ícone da “libertação, honestidade, justiça social, ética... e blá blá blá...”.

Heloísa Helena, assim como Lula, parece escolher mal seus parceiros partidários. Um deles é o italiano Achille Lollo. Achille Lollo é foragido da justiça italiana. Ele foi condenado por jogar 5 litros de gasolina, juntamente com um amigo fanático comunista, na entrada do pequeno apartamento de um adversário político de direita, Mário Mattei. O incidente acarretou na morte de dois filhos de Mattei: Virgilio, de 8 anos e Stefano, de 14 anos. Morreram queimados.

O hediondo crime do co-fundador do PSOL completou 30 anos em 2003, prescrevendo. Entretanto, familiares das vítimas conseguiram colher um número de assinaturas suficiente para conseguir invalidar sua prescrição. Se retornar à Itália, Lollo será imediatamente preso. No Brasil não. Ele apenas continuará carregando o fardo de ter sido responsável pela morte de duas crianças, só que livremente.

Não é só o fato de trazer consigo no partido um criminoso que torna Heloísa Helena só mais uma péssima opção política. Seu discurso reúne a mais fina flor da retórica demagógica esquerdista. Aquele blá social que escutamos há 500 anos, com esperança de mudanças. É uma sintaxe de tudo que há de pior no populismo canhoto.

Entre suas variadas diarréias eleitoreiras, Heloísa Helena prometeu, “de uma tacada só”, baixar a taxa de juros para 6%. Quase bateu o recorde de Anthony Garotinho, que prometeu cômicos 4%. Quem dá menos? O que a maioria dos eleitores infelizmente desconhece, é o vazio destas promessas. São de fazer qualquer aluno de primeiro período de economia cair na risada. Seria uma sandice reduzir a taxa de juros drasticamente, desta forma. A inflação subiria horrores, assim como o dólar, e a fuga de capitais seria o marco de sua gestão. Isso sem falar na inevitável queda na renda da população.

O pacote parece até enganar. E engana. Heloísa Helena é boa de briga e ostenta uma imagem de austeridade, como Lula, antes de seu governo. Mas no conteúdo, assemelha-se a um Garotinho, um Lula. Aliás, no episódio Achille Lollo ela provou ter sido uma boa aprendiz lulista, dos tempos de PT. Interrogada sobre sua relação com o assassino italiano do PSOL, ela foi categórica: “não sabia de nada”.

Marcelo Scotton

Quarta-feira, Junho 21, 2006

Batman

Nas HQs Batman é o resultado de um moleque que teve os pais assassinados. Anos depois, ele volta para se vingar dos criminosos de sua cidade, vem dar o troco. Se os Wayne tivessem sido poupados daquela morte trágica, será que seu filho se vestiria de morcego e viveria pulando de prédios anos mais tarde? Acho que não.

Lula é o nosso Batman. Um Batman burro, corrupto e preguiçoso que veio para se vingar. Um Batman que nos transforma em Coringas, uma nação de palhaços. Lula é o resultado do êxodo do nordeste, da migração desesperada daqueles que não tinham o que comer e vieram tentar uma vida boa em Sum Paulo. Será que se ele tivesse condições de vida, teria saído de Guaranhuns e vindo pra Sum Paulo? Acho que não.

Nós, como sociedade, somos os culpados por essa aberração estar fazendo tanta merda no governo. E se preparem, pois isso é só o começo. Ao invés de ajudar os brasileiros na linha da miséria a ter uma vida digna lhes dando oportunidades, nosso Batman dá “esmola”. Cria programas populistas que só existem nas propagandas do PT, e se apropria dos programas que já estavam aí. A curto prazo, isso é melhor que nada, mas a longo prazo não resolve merda nenhuma.

Também, o que poderíamos esperar? Eleger nosso Batman foi como promover o porteiro da Volkswagen à presidente da empresa. Claro, sem querer ofender os porteiros, pois eles sim trabalham, coisa que nosso Batman brasileiro não faz há mais de duas décadas.

Agora imagine o que o porteiro faria na presidência da empresa. Sem bagagem, cometeria erros primários de administração e os poucos acertos que tivesse (até por conseqüência de seguir o que o antigo presidente da empresa já fazia), seriam explorados como uma vitória magnífica. Pois é exatamente o que nosso Batman faz, e a culpa é nossa. Precisamos ver nosso estado como uma empresa, não como uma grande teta onde todos os “coitadinhos” podem mamar, e se esbaldar do que antes tanto lhes fez falta. A presidência é um posto para alguém preparado pra isso, não ferramenta de inclusão e justiça social.

Enquanto tentarmos ajustar as diferenças sociais dando esmola e tendo dó do passado sofrido de alguém, nunca faremos justiça, só criaremos mais aberrações como nosso Batman brasileiro. Temos que tratar todos como iguais, e darmos oportunidades e não cestas básicas. Podemos E DEVEMOS impedir essa anta alada ainda este ano, nas urnas. Mas e os milhões que ainda estão por vir?

Barbz Nardini

Na falta de Mãe Dináh, meus pitacos

Alguém se lembra da mãe Dináh? Aposto que não. A mãe Dináh sumiu. Para falar a verdade, não me recordo sequer de seu rosto. É uma futuróloga. Para muitos, a “Nostradamus brasileira”. Lembro-me de algumas de suas previsões.

Entre elas, muitas obviedades. Algumas delas, falavam que “o islamismo será a religião que mais crescerá no próximo século”, outras preconizavam que “o cigarro ou o vício de fumar resistirá a todas as restrições”, e por fim, que “a agressão da natureza continuará gerando destruição e novas pestes”. Os brasileiros sempre levaram os astrólogos e futurólogos muito a sério. Recentemente, mãe Dináh previu que 20 mil pessoas morreriam no show dos Rolling Stones no Brasil. Ironicamente, além de nenhuma morte registrada, houve um parto de uma criança durante o evento. Mãe Dináh errou por 20 mil e um.

Quero uma consulta sobre o futuro do país. Não li nada a respeito, nenhuma previsão nos jornais ou na Internet, nada. Como não conheço mãe Dináh nem nenhum outro profissional da previsão, resolvi fazer as previsões eu mesmo.

No meu arremedo de bola de cristal, arranjado com o lustre da minha sala, consigo imaginar, após as eleições, o salto do dólar. A boiada vai abrir a porteira do dólar, sustentado artificialmente pelo governo antes das eleições, para abocanhar o seu voto. Calculo que passará dos 3 reais. O petróleo e o gás terão previsões ainda mais alarmantes. A gasolina seguirá seu curso de aumento. Haverá crise no campo, e isto afetará acintosamente o preço do alimento nos supermercados.

O PT elegerá mais deputados do que da última vez. A corrupção irá piorar, e gerará um custo de bilhões de reais aos cofres públicos, mais um ano. Lula vencerá, perpetuando nossa ignorância e credulidade ingênua. Continuaremos acreditando em qualquer coisa, em qualquer promessa inócua. Perderemos – feio - na Copa do Mundo, e a soberba do técnico Parreira irá se transformar em lágrimas de pura parvoíce.

Os concursos públicos continuarão a todo vapor, dando a nossa dívida pública valores cada vez mais astronômicos. A iniciativa privada continuará em segundo plano, pagando altos impostos, e repassando-os aos consumidores, que no final das contas, sempre pagam o pato.

Modestamente, creio que minhas previsões são reveladoras, surpreendentes e chocantes. Entretanto, faltam as três previsões mais estarrecedoras: o islamismo irá crescer neste século. O cigarro resistirá a todas as restrições. A agressão da natureza continuará gerando destruição.

Marcelo Scotton

Sexta-feira, Junho 16, 2006

Fome de Matar

Hoje eu quero comer um X-picanha. Bem gorduroso, suculento, com batata frita e uma Coca-light, pra não engordar. E tem que ser maior do que o Marcola comeu na sede do DEIC-Departamento Estadual de Investigações Criminais. Não estranhei os outros bandidos pedirem pizza. As pizzas em São Paulo são ótimas, melhores que as de Brasília. Mas quero mesmo é um X-picanha.

O problema é que estou sem dinheiro. Totalmente quebrado. Eu pago gasolina, comida, conta de luz, internet, condomínio, celular, água, gás e vários impostos. Nunca sobra pra nada. Se eu quiser um X-picanha, eu vou ter que juntar algumas moedas e por dez reais de gasolina no cartão de crédito. Vou me complicar ainda mais.

Mas ainda acho que tenho direito ao sanduíche. Eu adoro. Entendam, não quero banquete, quero apenas um sanduíche.

Se o Marcola não trabalha, não paga imposto, comete crimes bárbaros e come “sanduba” a hora que quer sob proteção do Estado, será que eu não posso?

Não, eu realmente não posso. Porque além da falta de grana, existe a grande chance de ser morto no caminho entre o meu prédio e a lanchonete.
O Estado não vai me proteger. Não vale a pena correr esse risco por um simples desejo, uma coisa tão boba, tão insignificante.

Melhor seguir a dica dos outros marginais do PCC e pedir uma pizza em casa mesmo. Peço pra cobrar no cartão e mês que vem eu vejo como faço pra pagar.

Mas antes, vou até o vizinho pedir pra usar o telefone. O fixo tá estragado e ninguém da companhia até hoje veio consertar. Já meu celular não funciona dentro de casa. Deve ser porque não moro na cadeia.

Bruno Fernandes

Quarta-feira, Junho 14, 2006

Pare o mundo que eu quero descer.

O PCC atacou São Paulo depois de ficar com ciúmes por só ouvir falar em PT, PTB,PMDB e PSDB por um ano seguido. A competição estava desleal, os caras tiveram que se expor. Aliás, já que o PCC tá afim de eleger um pessoal nas próximas eleições, eu acho que uma coligação PT/PCC iria ser de grande valia. Para um partido que se aliou ao Maluf na última eleição, seria até um passo lógico. Eu ouvi que o Marcola paga faculdade para os bandidos que querem se tornar advogados (eita pleonasmo), quem sabe ele não convence o Lula a voltar pra escola?

Aliás, ouvir um cara que não sabe falar nem escrever direito dizendo na tv que nada é mais importante que a educação é genial. Se o Lula se reeleger, o Brasil só vai ter uma saída: O aeroporto.

Barbz Nardini

Copa, Copa, Copa

Estou torcendo contra a seleção brasileira. Um amigo disse que é uma atitude deplorável e monstruosa, e que eu deveria me envergonhar disto. Obviamente, temos pontos de vista diferentes. Ele trai a cônjuge com duas ou três mulheres diferentes ao mesmo tempo. Isso ele aceita bem. Torcer contra a seleção, não.

A Copa do Mundo é um evento que escancara toda nossa fraqueza. Outro dia, fui abordado na entrada de uma rua, por um grupo de moradores, que queriam uns trocados para decorar a rua de verde e amarelo. Foram pedir logo para mim. Entretanto, a rua encontrava-se esburacada, sem latas de lixo e com um entulho de obra no meio da calçada de pedestres. Dinheiro para bandeirinhas, sim. Para melhorar a higiene, limpeza, segurança e o asfalto, não.

As pessoas só gostam do Brasil nessas horas. Quando menos importa. As pessoas deveriam gostar do Brasil na hora de eleger um presidente com palavreado primário e com inúmeras evidências de improbidade administrativa nas costas. Deveriam gostar do Brasil na hora de se corromperem, de tentarem ganhar vantagem em cima de um coitado. Ninguém precisa gostar do Brasil na Copa. Afinal, ninguém vai ficar mais rico ou inteligente se o Brasil for hexa campeão.

O maior problema da Copa, no entanto, é o fanatismo dos brasileiros. Até mesmo pessoas que eu julgo sãs, inteligentes, conversadas, com conteúdo, transgridem nessa época. Em qualquer lugar que se vá, queira ou não, você é obrigado a consumir Copa do Mundo. E sempre tem um brasilóide (mistura de brasileiro com?) de plantão, para berrar, gritar ou fazer alguma avacalhação em qualquer ambiente que seja, em prol do verde e amarelo.

O mais interessante da Copa é que, de alguma forma, o povo faz uma curiosa associação do desempenho da seleção com o governo. É mais ou menos assim: se a seleção ganhar a Copa, o governo ganha em aprovação. Se não, perde em aprovação. Desafio qualquer pessoa a apontar um outro país no mundo que faça uma ousada associação, como esta. É como se Lula vestisse a camisa 10 da seleção. É como se algum outro petista no poder batesse córner e o outro cabeceasse. É claro que, cientes disto, os governantes tiram uma casquinha da seleção, como constatamos nas últimas semanas.

Por essas e outras, torço contra a seleção brasileira. Gostaria muito de vê-la eliminada já nas oitavas de final, pela minha amada Itália ou pela República Tcheca. Alguns dizem: “você mora no Brasil, deveria se orgulhar”. Eu me orgulho das poucas coisas humanas e sérias que o Brasil produz. São bem poucas, mas me felicito com as atitudes de caráter humano deste país. Essas atitudes animais, adesistas e oportunistas, não. Essas eu deixo para quem quiser torcer cegamente para o time do Parreira.

Marcelo Scotton

Quinta-feira, Junho 08, 2006

Um sentimento medíocre

Não entendo como alguém pode cometer a ousadia de comparar os pilotos de Fórmula 1 Ayrton Senna e Michael Schumacher. Definitivamente, não tem comparação. Michael Schumacher é muito melhor. O maior de todos os tempos. Nesta covarde disputa, Senna ainda fica atrás de um francês e um argentino: “le professeur” Alain Prost e “el chueco” Juan Manuel Fangio. Todos os três foram mais rápidos e campeões do que Senna. E ninguém precisou ter a infelicidade de ser amigo do Galvão Bueno.

Nossa briga pelo trono automobilístico é caseira. Como sempre, temos que nos resolver internamente para buscarmos alguma aspiração mundial. Portanto, Senna tem que disputar o reinado nacional com Nélson Piquet, um piloto que venceu o mesmo número de títulos mundiais que ele. E nessa disputa ainda prefiro Piquet, com seu jeito politicamente incorreto de ser. Certamente era mais divertido.

Essa mania ufanista dos brasileiros precisa acabar. Desde que algum infeliz lançou no populacho o patético “Deus é brasileiro”, que não aceitamos o fato de que nossos artistas, esportistas, cineastas, técnicos e figuras históricas sejam inferiores aos de outros países. Basta lembrar o sentimento de revolta nacional quando o filme brasileiro “Central do Brasil” perdeu o Oscar para o italiano “A vida é bela”. Como sempre, fomos muito ingratos. Deveríamos agradecer efusivamente à comissão julgadora do Oscar pela caridade de indicar nosso filme para o prêmio máximo do cinema. Ele é ruim demais.

O ufanismo exacerbado nos impede de criticar. O fato de algum coitado discordar sobre alguma virtude nacional soa como uma heresia. O ufanismo brasileiro nos impede de admitir obviedades, como por exemplo, constatar que nossa bandeira é uma das mais feias do mundo. Ou então que nosso cinema é de ruim para péssimo, e que o hino nacional perde-se em prolixidades. Ou admitir que a nossa cultura é internacionalmente irrelevante, salvo expressões de grande intelectualidade, como o futebol e o samba. Entretanto, desconfio que também tenhamos exportado o voto ruim e inconsciente. Basta ver que depois que cometemos a ousadia de eleger Lula presidente, com toda sua malandragem e falta de soluções, que Evo Morales, Romano Prodi e outros políticos de má qualidade saíram vitoriosos mundo afora.

Quando falamos de cultura, há quem cite Machado de Assis e a bossa-nova como argumento de sucesso pró-tupiniquim. Curioso. Como se um ou dois exemplos em 500 anos de história nos livrassem da casta de plagiadores, e não de pioneiros da cultura. O problema, no entanto, é exatamente esse: demoramos décadas para formarmos algo de relevante para o mundo.

Enquanto essa paranóia ufanista e o esquecimento da educação de base no país seguir adiante, vamos conviver com gerações de muitos Zagallos, Dirceus, Ivetes, Barrichellos, Carlinhos Browns, Lucianos Hucks e funk do Tigrão na cabeça. E sem nenhum Monet, Rodin, Montaigne, Tarantino, Kotler, Lennon, Godard, iluminismo, rock progressivo e claro, Machado de Assis e bossa nova.

Marcelo Scotton

Quinta-feira, Junho 01, 2006

O Lixo Postal

Certa feita, alguém na imprensa disse o seguinte: “O Rio de Janeiro é o cartão postal do Brasil”. Nos almanaques, o orgulho carioca é caracterizado por sua malandragem. A figura do Zé Carioca, personagem da Disney, malandro, preguiçoso e que não gostava de trabalhar, foi ícone do Bananal no mundo inteiro. O aborto musical Gilberto Gil disse em uma de suas “músicas” que “o Rio de Janeiro continua lindo”.

O Rio de Janeiro deve ser comparado a uma outra beleza natural, as Sete Quedas do Guaíra: quem viu, viu; Quem não viu, não vê mais. O cidadão carioca acomodou-se com o rótulo de cartão postal. Para ele, não parece mais importar que suas praias são inacessíveis devido ao alto índice de poluição e risco de contração de doenças.

O título de cartão postal parece sobrepor o domínio das favelas e do crime organizado na cidade, cuja noite não é conhecida mais pela tradicional boemia, e sim pelos crimes hediondos. Vinícius de Moraes morreu. Música agora, é o funk carioca. O futebol do Rio morreu. Os times da capital normalmente são goleados por paulistas e sempre brigam contra o rebaixamento. As tardes no jóquei vão de mal a pior. O elegante, boêmio, sedutor e gentil Nelson Gonçalves deu lugar aos brutos, grosseiros, boçais e descerebrados pitboys. Não se fabricam talentos no esporte, paixão carioca: o melhor do futebol é gaúcho, da fórmula 1 é paulista e o do tênis, catarinense.

A megalomania carioca é patrocinada pelo governo federal, que investe milhões em publicidade anualmente para tentar provar ao turista, seja ele nacional ou estrangeiro, de que o Rio é bonito e seguro. A megalomania se estende pelas novelas globais, que insistem em valorizar a “cultura” suburbana carioca. Uma dúvida: se eu for assaltado ou levar um tiro pelas inúmeras balas perdidas que estouram Rio afora, a quem devo acionar no PROCON? O Governo Federal, a Globo ou o autor da novela da Globo?

O Rio de Janeiro é a mais fina flor da alma bananeira: terra do orgulho pátrio, carnaval, futebol, cerveja, praia e vida mansa. Calor e praia virou álibi para vagabundagem da população. Para os estrangeiros, nada mais do que prostituição barata e diversão efêmera. O Rio não é mais coisa para inglês ver. É coisa para idiotas verde-amarelos verem.

Marcelo Scotton