A velha nova consciência
O ex-sindicalista Lula obteve, em sua aventura como presidente do Brasil, a maior aprovação desde a sua melancólica posse, em 2003. Petistas, situacionistas e esquerdistas de todas as espécies (light, xiita e delirante) ficaram todos assanhados. É como se Lula tivesse se transformado no detetive Elliot Ness da política. Intocável. A soberba é de que se a pesquisa assinalou, então ele está legitimado: não pode ser contestado. Deixem Lulinha e a Gamecorp
Essa euforia dos descansados obviamente é de uma asquerosidade colossal. Mas é pertinente, antes de desconstruir a tese dos cérebros travessos, separar malandros e tolinhos: uma parte dos agitadores são funcionários públicos ou seres “abençoados” e “agraciados” com verbas públicas em revistas, espetáculos e peças teatrais. A outra parte é formada apenas por aborrecidos e ignorantes agitadores do lulismo, todos reféns de sua ideologia precária, sejam eles urbanos ou caipiras. Uns locupletam-se; outros são bobocas subservientes.
Alguém que estiver um pouco mais atento em discutir idéias -- e não pessoas --, irá constatar que tal aprovação não se deu às maravilhas de um governo errante. O país continua a mesma porcaria de sempre: pobre, violento, ignorante, irrelevante culturalmente e abusado por políticos. Ou estou mentindo? O que salva é a economia, o único setor do governo onde os petistas não meteram o bedelho. Deixaram-na (a economia) na mão dos então “neoliberais” tucanos. Desde o governo Fernando Henrique, o Banco Central segue sob a batuta do senhor Henrique Meirelles. A incoerência salvou o Brasil: o PT aplica a política econômica dita “neoliberal” que combateu durante anos.
A aprovação de Lula se vale também pela política assistencialista feroz, que é uma potente ferramenta eleitoral em suas mãos. Entendo: é bem mais fácil fidelizar um eleitor com uma “esmola-família” do que lhe tirar da miséria lhe dando educação e emprego. O pobre precisa continuar pobre para votar em candidato de pobre.
Quando um vagabundo pressupõe que um governo ineficiente nos gastos públicos pode ser considerado legítimo, um “messias de novos tempos”, e superior ao anterior -- que institucionalizou o país e estabilizou a economia --, só posso me lembrar de Paulo Betti, quando disse que “é impossível fazer política sem colocar a mão na m....”.
Para os crédulos deste pensamento, o discurso conservador se baseia em um senso comum que se trata de uma “falsa consciência” coletiva que necessita ser superada. É como se a sociedade não soubesse o que quer, não soubesse o que é certo ou errado, e precisasse então de uma luz para descobrir a razão. E de quem é a tarefa dessa superação, desse iluminismo? Para eles, da esquerda. Eles “gentilmente” nos apresentariam então uma “nova consciência”, com valores de igualdade e liberdade – a seu modo, como Fidel fez. A partir de então, colocar a mão na m.... seria algo plenamente justificável se os fins fossem favorecer o partido. Comentários “ferinos” sobre o uso pornográfico dos cartões corporativos seriam condenados. Talvez comentários carinhosos fossem bem recebidos. Leiam 1984, de George Orwell. É uma síntese emblemática dessa ideologia grotesca que inverte valores.
O curioso é que os descansados não contestam as denúncias de corrupção. Nem debatem idéias – preferem atacar as pessoas que escrevem, e nunca o que elas escrevem. Reclamam porque há quem reclame do governo “deles”. Querem uma democracia calada e sem questionamentos, com o perdão da antítese. Por isso gostam tanto de Fidel e Chávez. Para os descansados, podem fazer um governo de ímprobo desde que os fins ideológicos partidários sejam cumpridos. Ah, sim! E que fins seriam estes? Até agora, apenas o inchaço estatal e recompensas para – quase – todos militantes que aderem à causa. Depende apenas se o militante é o financeiramente pujante malandro ou o sempre desconstruído tolinho.

















































































