Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

O patriotismo gratuito

Toda vez que escrevo um artigo falando mal do Brasil, das duas uma: ou sou visto com antipatia ou sou agredido verbalmente. Não sei qual o motivo de tanta injúria. Dizem que normalmente nos sentimos ofendidos quando temos dúvidas se o objeto da ofensa é verdadeiro ou não. Eu entendo que além disso, existe uma certa tirania ideológica nestes protestos, sempre prontos para suprimir qualquer idéia ou posição contrária das que defendem. Mas isso eu deixo para os terapeutas e psiquiatras.

Pois bem, antes de mais nada, vou ser definitivo: eu não tenho nada contra o Brasil. Acho até que, percorrendo uma forçada lógica do meu raciocínio, só escrevo coisas demais contra o país porque no fundo devo me importar, e anseio por mudanças profundas em quase todos os aspectos. Prefiro fazer parte do bloco dos indignados do que da massa dos milhões de patriotas gratuitos.

E é justamente essa adesão gratuita ao patriotismo que me incomoda. O país tem um déficit gigantesco com cada cidadão brasileiro. São infortúnios políticos, culturais, sociais, logísticos, morais, econômicos e de dezenas de outras naturezas. O país todos os dias faz das tripas coração para que o povo o rejeite, o ache barato, o ache insuficiente, mas nunca consegue. O efeito é justamente o contrário. Um empreguinho público ou um título do Brasileirão estão sempre ali para salvar as costas do patriotismo. Ou então o carnaval, ou as mulheres esbeltas. E assim ficamos perpetuados nesta condição, neste jeito brasilis de viver, nessa coisa meio de “mulher de malandro”.

A isto eu alcunho de patriotismo voluntário. Uma espécie de servidão voluntária, onde o sujeito está pronto para amar, defender, consumir, idolatrar algo que não lhe gera nenhum benefício, nenhum retorno, nenhum resultado concreto de volta. Ele se apaixona por uma idéia que no pesar da balança, lhe trás muito mais desgostos do que felicidades.

Respeito quem faz opção pelo patriotismo. É do direito de cada um gostar de ser patriota ou não gostar de cebola. Achar Hugo Chávez um bom homem ou achar que teatro de rua é a chave para a cultura. Só não aceito mais ser insultado por que não sou patriota gratuito. No dia que o Brasil der algum motivo para mim ou para a população que eu entendo ser digno de orgulho, eu o defenderei com propriedade. Mas a esta servidão, a este consenso patriótico gratuito, definitivamente não posso me juntar. Por fim, digo que meu patriotismo nem é muito caro: um pouquinho de segurança pública e de leis mais rígidas já ajudariam bastante.

7 Comments:

Blogger Barbz Nardini said...

Do caralho. simples e direto, disse tdo meu velho!

25/1/07 11:03 AM  
Blogger Marcelo Scotton said...

Valeu, Barbz. Foi mais um desabafo. Estava cheio de brasilóides me enchendo o saco. Valeu, abraço!

25/1/07 12:53 PM  
Anonymous *Lusinha* said...

Prefiro fazer parte do grupo dos inconformados do que dos ACOMODADOS!
Apoiado!
Bjitos!

31/1/07 8:40 AM  
Blogger Bruno said...

Boa Pizzi, pau no c* dos brasilóides!

31/1/07 11:56 AM  
Blogger Jardel said...

Bota fogo nesse pais!

4/2/07 11:23 PM  
Blogger B R E N A said...

Eu sou um pouco chata quando falo desse assunto, mas olha... não tem nada PIOR que o patriotismo exagerado que surge na época de Copa do Mundo, tem??? E da última vez, o Brasil tomou uma ferrada tão grande que eu achei foi pouco. Tanta merda acontecendo e o país PÁRA só pra isso! Tenha paciência... por isso que o país tá essa P que ta!
Eu sabia que ia me exaltar... aff
Bjos... desculpa o mau humor!

7/2/07 10:13 PM  
Anonymous falcao_r said...

Milhares de pessoas em blocos de ruas no Rio de Janeiro.

600 pessoas na passeata pelo menino João morto arrastado pelo carro roubado.

Por essas e por outras que eu quero mais é que o Brasil exploda.

Odeio esse país. Odeio os cariocas.
Você barbz, que é do RJ sabe... veja o transito na Pres. Vargas. Inferno... todos desrespeitando todos.

Por mim, ganho uma bolada (não sei ainda como) e me mando para Europa.

16/2/07 2:42 PM  

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