Quarta-feira, Abril 04, 2007

Bush, o injustiçado

Um leitor reclamou que não escrevi nada sobre a visita de Bush ao Brasil. Acrescentou que perdi tempo falando mal do Pan-Americano e do cinema nacional. Nas grandes cidades, sonhadores das universidades públicas, gente do MST, da União dos estudantes, simpatizantes e militantes de esquerda esbravejaram contra Bush, fazendo passeatas de protesto. “Fora Bush!”, foi o tema recorrente e incessante.

Não entendo essa cisma com Bush. Ela é injusta. Temos um caminhão de coisas para implicar antes dele. Uma delas é o Timemania. O Timemania é uma loteria criada com dinheiro público para salvar clubes de futebol falidos. Como se o pobre do contribuinte tivesse alguma coisa a ver com isso. A loteria sanaria as dívidas dos clubes, até quando viesse um novo dirigente para levar o clube novamente ao fundo do poço, criando-se assim um ciclo vicioso com o nosso dinheiro. A falência do futebol seria, em minha opinião, uma bênção para o Brasil. Assim poderíamos nos esquecer dos esportes e priorizar coisas bem mais importantes no dia-a-dia, como a educação e a saúde.

Nas últimas semanas, falou-se também em aumentar a verba de gabinete dos deputados em 28%. De R$ 51 mil para R$ 65 mil por mês, e por parlamentar. Pergunta: essa porcentagem seria acrescida àquela outra proposta, a de dezembro passado, onde os parlamentares propuseram dobrar seus salários? Mais cisma pertinente? Mês passado, Lula anunciou que o governo cortaria verbas justamente em um setor decisivo para o crescimento do país: a infra-estrutura. Disse para o povo ficar tranqüilo, pois ainda assim, o PAC não sofreria impacto. Será mesmo que um corte na infra-estrutura não afetaria o PAC? Presumo que, se o mundo acabasse amanhã, apesar de todos nós estarmos mortos, continuaria tudo bem aqui embaixo com o PAC.

Entretanto, deveríamos cismar mesmo é com a surreal proposta do senador do Maranhão Edison Lobão, que propôs a criação de um novo estado para o Brasil: senhoras e senhores, o Maranhão do Sul! Não é piada, aconteceu. Com um país quebrado, afogado em uma dívida pública impagável, com um custo de funcionamento público astronômico, este senhor teve o despropósito de convidar os demais deputados a votar pela criação de mais um estado. Estado este que geraria mais gastos para criação de novos cargos públicos. Pergunta: certificaram-se de que não era um primeiro de abril? Creio que a única atitude honesta diante de uma proposta bizarra como esta, seria pedir desculpas ao senhor Edison Lobão por levá-lo a sério no plenário.

Acho, portanto, que devemos nos esquecer do eterno “usurpador estrangeiro”, toda aquela ladainha de “neoliberalismo” que só vive na cabeça de gente como Emir Sader, e começar a colocar a culpa em nós mesmos, os verdadeiros responsáveis por toda esta miséria. Todo dia temos um bom motivo vindo lá de Brasília para protestar. Mas parece que infelizmente o povo brasileiro só quer protestar mesmo é contra o Bush.

Marcelo Scotton

3 Comments:

Anonymous falcao_r said...

Booooooooooa...

Adorei. É isso aí.
Povinho de mierda que temos. Adoram reclamar mas só fazem cagada.

Sempre querem levar vantagem e depois fazem pose de pobres coitados.

Viva os EUA. Pelo menos o Bush respeita seus cidadãos.

9/4/07 1:37 PM  
Blogger Marcelo Scotton said...

Sem contar a infinidade de problemas antes do Bush.

A servidão gratuita dessa gente e a facilidade com que se manipula a população é algo assombroso.

13/4/07 11:59 AM  
Anonymous Anônimo said...

Ahh! fala serio! Tu vai defender o Bush?

17/2/08 6:05 PM  

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